Uma menina de 5 anos teve que sentar à frente da juíza Olga Attia, sem advogado, para explicar como a mãe dela entrou ilegalmente nos Estados Unidos. A criança saiu do México com uma irmã de 13 anos e um irmão de 15. “Os três foram detidos por terem cruzado a fronteira de forma irregular“. A notícia foi publicada pela BBC News Mundo em Los Angeles (EUA), neste sábado (12).
Na audiência, a juíza chegou a solicitar um livro de colorir para tentar deixar a menina mais à vontade enquanto a ‘interrogava’. “Assim, você pode ficar mais entretida“, teria dito a magistrada, conforme relata a matéria da BBC News, afirmando que a mãe estava ao lado da filha no Tribunal de Migração de San Diego, na Califórnia, onde enfrenta um processo de deportação.
“A menina chegou ao país em março de 2024 [com o irmão e a irmã], sem seus pais nem outros adultos responsáveis“, diz a publicação. A mãe havia entrado nos EUA primeiro, segundo a reportagem que não revela os nomes.
Ao ser entrevistada pela agência de notícias AP (Associated Press), sobre a filha estar no Tribunal sem direito a advogado, a mãe respondeu: “não podemos permitir isso“. A BBC News informa que a juiza Attia chegou a sugerir uma organização capaz de oferecer orientações e agendou uma nova audiência para o mês de maio.

As informações são de que outras 26 mil crianças poderão passar pela mesma situação naquele país. Outros problemas enfrentados por elas, são que muitas não entendem inglês e “outros são bebês com meses de idade, que ainda nem aprenderam a falar“, destaca a reportagem de Leire Ventas, correspondente da BBC News Mundo em Los Angeles.
O advogado Jonathan D. Ryan, do escritório Advokato, ouvido pela BBC News Mundo – o serviço em espanhol da BBC, relatou. “Sou advogado, estudei na Faculdade de Direito e sou especializado em imigração há 20 anos…”, inicia ele.
Ele protesta: “por isso, a ideia de que qualquer pessoa, não apenas uma criança, possa preparar uma ação e apresentá-la de forma eficiente perante um juiz de imigração com um promotor muito bem preparado, bem pago e altamente motivado litigando contra ela não é apenas falsa. É realmente uma manifestação de crueldade“.
Cancelamento de contrato: a matéria informa também que no último dia 21 de março, “o governo americano cancelou os contratos mantidos com dezenas de organizações que oferecem representação legal a menores não acompanhados – imigrantes com menos de 18 anos que atravessaram a fronteira sem seus pais ou tutores. Mas uma juíza federal bloqueou esta decisão até o dia 16 de abril“.
A reportagem também explica, que nos EUA a obrigação de oferecer representação legal sem custo, só atinge os processos penais. Os casos migratórios são decididos pela justiça civil. Clique aqui e confora a matéria na íntegra.