Entre bandeirolas e preces: Cruz das Almas viveu a esperança do primeiro jogo da [Seleção na] Copa
*Por: Maria Lordêlo
Em junho, Cruz das Almas parece respirar de um jeito diferente. O cheiro da fumaça das fogueiras se mistura ao perfume do licor, as bandeirolas dançam ao sabor do vento e os acordes do forró, ecoam pelas ruas como uma trilha sonora permanente da cidade. Mas neste ano, em meio ao clima junino, outro sentimento tomou conta dos cruzalmenses: a expectativa pelo primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo.
Desde cedo, as ruas já revelavam os sinais da festa. Camisas amarelas dividiam espaço com xadrezes coloridos, enquanto bares, praças e residências ganhavam enfeites que misturavam o verde e amarelo da seleção às cores tradicionais do São João. Em cada esquina havia uma conversa sobre escalações, palpites e superstições. Afinal, quando se trata de Copa do Mundo, o brasileiro transforma esperança em ritual.
E em Cruz das Almas, cidade onde a fé e a tradição caminham lado a lado, não faltaram pedidos ao santo casamenteiro. Santo Antônio, celebrado justamente neste período, foi convocado para uma missão além dos relacionamentos. Entre uma trezena e outra, muitos aproveitaram para fazer suas preces pelo sucesso da Seleção Brasileira. Alguns acenderam velas, outros prometeram agradecimentos em caso de vitória. A crença popular, tão presente na cultura nordestina, encontrou no futebol mais uma razão para se manifestar.
A cidade parecia tomada por uma energia difícil de explicar. Não era apenas sobre um jogo. Era sobre a possibilidade de viver, por algumas horas, uma alegria coletiva. Em tempos de tantas dificuldades, a Copa surge como um raro momento em que as diferenças se silenciam e todos compartilham do mesmo desejo. A esperança veste a mesma camisa.

Na Praça, nos bares, nas ruas e nas calçadas onde vizinhos tradicionalmente se reúnem para conversar, o clima era de expectativa. As ruas transbordavam animação. Crianças corriam carregando bandeiras, comerciantes decoravam fachadas e grupos de amigos organizavam encontros para assistir à partida. Havia euforia nos olhares, mas também aquela ansiedade típica de quem sabe que o futebol tem o poder de transformar um dia comum em uma lembrança inesquecível.
Enquanto o mês de junho segue iluminado pelas fogueiras e embalado pelo som das sanfonas, Cruz das Almas demonstra mais uma vez sua capacidade de celebrar. Celebra a cultura, a fé, a beleza e, agora, a esperança depositada em mais uma campanha da Seleção Brasileira.
Entre rezas a Santo Antônio, bandeirolas coloridas e o verde-amarelo espalhado pelas ruas, a cidade mostrou que, no Recôncavo, o São João e a Copa podem dividir o mesmo coração. E, por um instante, cada cruzalmense acreditou que a magia das festas juninas talvez pudesse dar uma ajudinha também dentro das quatro linhas.

*Maria Lordêlo é estudante de jornalismo na UFRB (Unversidade Federal do Recôncavo da Bahia) e colaboradora do portal Acesse News.
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