O que significa construir autoridade sendo mulher no mercado cultural?
No mês das mulheres, escritoras da Ipê das Letras falam sobre carreira, identidade e os caminhos para ocupar espaço no campo cultural.
*Por: Assessoria de Comunicação
Ao longo deste mês, a Ipê das Letras se soma às reflexões que marcam o Dia Internacional das Mulheres. Mais do que uma celebração simbólica, a data convida a reconhecer percursos construídos em contextos que, historicamente, exigiram das mulheres resistência, consistência e afirmação de voz.
Falar sobre autoria feminina também significa reconhecer que muitas escritoras chegam ao livro depois de trajetórias já consolidadas em outras áreas. No audiovisual, na publicidade, na atuação ou em processos pessoais de transformação, essas experiências acabam se convertendo em narrativa. Neste mês, a Ipê das Letras reúne autoras que transformaram diferentes vivências em escrita, ampliando o espaço de circulação de suas histórias.
Diretora, roteirista e produtora com mais de duas décadas de atuação no audiovisual, Teresa Lampreia, autora de Somos feitos de histórias (2026), observa que a força de uma narrativa se revela quando ultrapassa o campo individual. “Quando a sua experiência toca o outro, ela deixa de ser apenas individual — ela se torna coletiva“, afirma. Atuando em ambientes majoritariamente masculinos no início da carreira, Teresa destaca que sua motivação nunca foi apenas resistir, mas criar. Para ela, tornar trajetórias visíveis amplia repertórios e abre caminho para novas vozes femininas.

Essa relação entre experiência profissional e construção narrativa também marca o percurso de Mercedes Gameiro. Roteirista do premiado longa Urubus, finalista na corrida brasileira ao Oscar 2024, Mercedes estreia na literatura com Me perder. Contar os dedos. Repetir (2025), romance em que transforma dor e memória em prosa poética. Antes de chegar ao cinema, ela construiu carreira no mercado publicitário, onde começou como redatora e chegou à posição de produtora executiva. Em reuniões cercadas por homens, lembra que muitas vezes precisou “falar grosso e pisar firme. Quase que ser um dos caras“. No cinema, enfrentou outro tipo de desconfiança ao escrever o roteiro de Urubus: o próprio personagem que inspirou a história estranhou descobrir que uma mulher estava por trás da narrativa. A parceria, no entanto, se consolidou no processo — experiência que hoje também atravessa sua escrita literária.
Se Teresa e Mercedes partem de trajetórias consolidadas na criação audiovisual, a escrita de Giovanna Sequeira surge de um movimento mais íntimo de ruptura. Advogada, atriz e agora autora de Uma mulher real (2025), ela decidiu publicar sua história no momento em que já não suportava a pressão de performar uma versão idealizada de si mesma. “Eu decidi ser real. Então comecei a escrever a minha narrativa. Descobri que, assim, ninguém mais teria poder sobre ela“. Ao assumir fragilidades e desejos, encontrou na escrita um caminho de reorganização da própria identidade. O processo envolveu riscos pessoais, profissionais e financeiros — o que ela descreve como um “salto de fé” entre uma vida e outra — transformando a escrita em espaço de reconstrução e permanência.
Sobre a Editora: Ipê das Letras é uma editora brasileira dedicada à publicação de literatura contemporânea, com foco na bibliodiversidade e na valorização de novas vozes. Seu catálogo reúne diferentes gêneros, estilos e perspectivas, entendendo a leitura como experiência cultural, lazer e forma de ampliação do imaginário coletivo.
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