Alagamentos nas cidades: assumir a responsabilidade ou culpar Deus?
Editorial – Por: *Dell Santana
Cenas que se repetem. Entra ano, sai ano e praticamente, nos mesmos meses, enxurradas de desesperos invadem ruas e casas em cidades pelo Brasil afora, provocadas pelas previsíveis “chuvas de trovoadas” que desaguam das nuvens nessa época.
É correto apontar culpados ou responsabilizar alguém, seja cidadão(ã)s comuns, que por suas ações desumanas desequilibram o meio ambiente, ou as autoridades políticas, que foram eleitas para, entre outras coisas, zelar justamente pela infraestrutura dos lugares onde administram, mas na real, quase nada fazem nessa área?
Políticos se esquivam de realizar as chamadas “obras ocultas” (drenagens/esgotos), pois não atraem votos. – Deveriam eles assumir a responsabilidade ou é mais cômodo culpar Deus por mandar a chuva? Eles usam as verbas dos municípios e das emendas parlamentares apenas para fazer paliativos. Por outro lado, homens e mulheres “comuns” continuam derrubando árvores, jogando lixos e entulhos em locais inapropriados.
E aí, na hora que a natureza resolve reagir a essas ações perversas lançadas contra ela, vira esse “Deus nos acuda” de todos os tempos.
Usando como exemplos municípios do Território Recôncavo da Bahia, destacaremos Santo Amaro, Cachoeira, Maragojipe e Nazaré das Farinhas (onde rios dividem espaço com as respectivas populações em trechos urbanos), nos últimos dias, mais uma vez, tiveram ruas alagadas e casas invadidas pelas águas e lamas. As fortes chuvas fizeram rios como o Subaé e Jaguaripe, além de riachos, transbordarem, deixando os moradores em pânico. Em Cachoeira, a prefeita Eliana Gonzaga chegou a decretar “Estado de Emergência”.

Mas outras cidades como Muritiba e Cruz das Almas, que não têm rios dividindo suas ruas, mesmo assim, também tiveram alguns bairros alagados. Possivelmente, a falta de drenagem em algumas áreas, causou o acúmulo de água que invadiu casas.
Em entrevista ao programa “Fala Aí” da Rádio Transbrasil FM nesta quarta-feira (4), o secretário de Infraestrutura cruzanense Edson Ribeiro, falou que o problema da drenagem será resolvido assim que conseguir a verba. – Ainda ontem, a prefeitura divulgou uma nota alertando os moradores. Leia clicando aqui.
Em várias regiões do país, tem chovido em algumas horas, um volume esperado para o mês inteiro. Para o Nordeste, por exemplo, a indicação é de que os temporais tendem a continuar, conforme previsão da Climatempo.
Na semana passada, a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata, em Minas Gerais, viveu sob um dilúvio que deixou dezenas de mortos, centenas de desalojados e um cenário devastado.
Grandes centros como São Paulo, Salvador, entre outros, também passam pelo mesmo drama. Entra prefeito, sai prefeito, outros se reelegem, mas não conseguem estancar a sangria dessas águas da anunciada “chuva de verão” que continuarão inundando áreas urbanas.
E os povos, especialmente das periferias desses lugares, seguem vivendo seus calvários. Enquanto uns lamentam prejuízos materiais, outros choram as perdas de entes queridos, esperando o próximo sol, para reconstruírem as casas destruídas e as próximas eleições, para eleger, geralmente, os mesmos políticos que lhes compram o voto a cada eleição e depois, se esquivam dos compromissos institucionais do cargo e lhes entregam paliativos como recompensa.
– E aí cidadão(ã), vai culpar quem?
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*Dell Santana, é graduado em Comunicação Institucional (Faculdade Sumaré – SP), editor do Acesse News e filiado a ABI (Associação Baiana de Imprensa).