Sete em cada dez mulheres dizem que já sofreram assédio, mostra pesquisa em dez capitais brasileiras
Ruas e espaços públicos são os lugares onde mais ocorre esse tipo de situação. Levantamento mostra ainda as medidas que devem ser adotadas para enfrentar o problema e a percepção de homens e mulheres sobre a divisão de tarefas domésticas
*Por: Assessoria de Comunicação
O Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec lançam no próximo dia 5 de março, quinta-feira, a Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, levantamento que mostra a percepção da população em dez capitais brasileiras sobre temas como assédio e divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres.
O trabalho entrevistou 3.500 pessoas de forma online, nas seguintes cidades: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Considerando o total da amostra, 71% das respondentes disseram que já sofreram algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais pesquisados (ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas e transporte particular).
Ruas e espaços públicos, como praças e parques, são os lugares onde mais ocorre esse tipo de situação. Em seguida, aparece o transporte público e, em outro patamar, o ambiente de trabalho. Os números apresentam variações de acordo com as capitais em estudo, mas a proporção de mulheres que sofreu assédio permanece alta e estável nas dez cidades.
A pesquisa abordou também as ações e medidas prioritárias que devem ser adotadas para combater a violência contra as mulheres, na percepção dos respondentes. No total da amostra, aumentar as penas contra os agressores aparece em primeiro lugar, com 55% das menções, seguida pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas, com 48%.
Essas ações ocupam o topo do ranking em todas as cidades pesquisadas. “Podemos e devemos fazer muito mais para enfrentar a violência contra a mulher. Além de punir os infratores, ampliar os canais de denúncia e promover campanhas, precisamos criar políticas públicas efetivas, que de fato promovam uma mudança estrutural na sociedade“, comenta Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis.
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Divisão de tarefas domésticas

O levantamento apurou ainda como homens e mulheres percebem a divisão de tarefas domésticas. No total da amostra, quatro em cada dez respondentes (39%) dizem que os afazeres de casa são responsabilidade de todos, mas as mulheres fazem a maior parte. Para parcela semelhante (37%) as atividades são divididas igualmente entre homens e mulheres.
Os números variam pouco entre as capitais, mas a percepção muda de forma significativa quando se observa o recorte por gênero: 32% dos homens reconhecem que as mulheres fazem a maior parte das tarefas, embora a responsabilidade seja de ambos; entre elas, esse percentual sobe para 44%. Ainda, 47% dos homens acham que as atividades domésticas são divididas igualmente, percentual que cai para 28% entre as mulheres.
Lançamento: esses e outros resultados da Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres serão apresentados em evento presencial, aberto e gratuito no dia 5 de março, às 11h, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, em São Paulo. Depois da apresentação haverá um debate sobre o tema com especialistas na área.
Centro de Formação e Pesquisa do Sesc: Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar – Bela Vista, São Paulo-SP.
Sobre a pesquisa: a Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026 é uma realização da Ipsos-Ipec e do Instituto Cidades Sustentáveis, no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, em parceria com o Sesc-SP e a Fundação Grupo Volkswagen. O cofinanciamento é da União Europeia, como parte do “Programa de fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. O projeto tem como parceiros institucionais a Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas (FNP) e a Estratégia ODS. – O objetivo do levantamento é verificar a percepção dos internautas residentes em dez capitais brasileiras sobre temas relevantes relacionados às questões de gênero. – O universo inclui pessoas de 16 anos ou mais, das classes ABCDE, que moram nas capitais de interesse há pelo menos 2 anos, com acesso a internet. O trabalho de campo foi realizado de 1 a 27 de dezembro de 2025. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro para o total da amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Para os resultados desagregados por capital, a margem de erro pode variar de 4 a 6 pontos percentuais, de acordo com a cidade.
Sobre o Instituto: o Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) é uma organização da sociedade civil criada em 2007, com o objetivo de fortalecer as instituições públicas e a democracia, bem como promover o debate sobre o enfrentamento das mudanças climáticas. Produzimos conteúdos, metodologias e ferramentas de apoio à gestão pública municipal e ao desenvolvimento de projetos em rede, utilizando como base indicadores de desempenho nas diversas áreas de atuação da administração pública. – A atuação do ICS envolve também a articulação, mobilização e sensibilização de gestores públicos municipais para a implementação de políticas públicas que promovam a melhoria da qualidade de vida da população em seus variados aspectos. Esse trabalho é desenvolvido em duas frentes: a Rede Nossa São Paulo, com foco na capital paulista; e o Programa Cidades Sustentáveis, de âmbito nacional, voltado para todos municípios brasileiros.
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