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Selic cai para 13,75%, mas alívio no bolso pode ser passageiro para os 122,8 milhões de brasileiros endividados

Estudo da Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre mostra que comprometimento de renda das famílias segue acima do início da década, mesmo com o quinto corte seguido de juros — e que a folga esperada tende a ser gradual, não imediata
 

*Por: Assessoria de Comunicação

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (16), cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, o quinto corte consecutivo, em decisão unânime. Para os mais de 122,8 milhões de brasileiros com crédito ativo, número que cresceu 27% entre 2021 e 2025, segundo o estudo “O começo de uma década”, da Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre, a notícia costuma ser lida como alívio automático no orçamento. Mas os dados do próprio estudo sugerem que essa leitura merece cautela. 

O levantamento mostra que o comprometimento de renda das famílias com contratos de crédito saltou de 70,3% em 2021 para um pico de 86,1% em 2024, recuando para 81,1% em 2025 , ainda 10,8 pontos percentuais acima do início da década. Para os pesquisadores, essa recente melhora não deve ser confundida com uma reversão estrutural do endividamento. 

A queda observada no comprometimento de renda em 2025, na comparação com 2024, não deve necessariamente ser encarada como uma melhora estrutural, pois é possível que seja resultado de um processo de ajuste das famílias ao cenário de custo elevado do crédito“, afirma Oscar André Frank Junior, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA). 

O ciclo de juros altos elevou de forma duradoura o custo do crédito para famílias e empresas. Entre 2021 e 2025, o saldo inadimplente do país mais que triplicou, passando de R$54 bilhões para R$177,6 bilhões, enquanto a taxa de inadimplência sobre a carteira ativa praticamente dobrou, de 1,98% para 3,97%. A taxa de indivíduos inadimplentes avançou de 19,9% para 26,3% no período. 

A queda da Selic para 13,75% é uma boa notícia, mas ela não desfaz cinco anos de ajuste no orçamento das famílias. O crédito ficou mais caro por tempo suficiente para virar hábito de vida, e isso não se desfaz em um corte de juros. O que vemos na prática é que a queda de juros melhora a régua de novos contratos, mas quem já está endividado continua precisando renegociar o que ficou para trás“, explica Fernando Iódice, CEO da Consumidor Positivo, grupo no qual a Acordo Certo faz parte.
 

O que muda com juros mais baixos

A queda da Selic tende a reduzir gradualmente o custo de novas operações de crédito, especialmente em linhas atreladas a juros pós-fixados, como financiamentos e alguns empréstimos consignados. O efeito sobre dívidas já contratadas no auge dos juros altos, como parte do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, historicamente as modalidades mais caras do mercado, costuma ser mais lento, já que essas taxas não acompanham diretamente o ciclo de cortes na mesma velocidade.

O próprio comunicado do Copom reforçou essa cautela – o comitê sinalizou que a continuidade do ciclo de cortes será calibrada à luz de novos dados, e a próxima reunião só ocorre em novembro. 

Segundo o estudo, os grupos mais vulneráveis à inadimplência seguem sendo os consumidores mais jovens, prejudicados pelo menor tempo de experiência no mercado de trabalho e por rendimentos mais baixos e quem recebe até dois salários mínimos, mais suscetível a choques de renda. Para esses perfis, a folga trazida por juros menores tende a demorar mais para aparecer no orçamento. 

Se o efeito da queda da Selic sobre dívidas já contratadas é lento, a renegociação é a alavanca que não depende do ciclo de juros, pode ser acionada pelo consumidor imediatamente. “Não dá para esperar a Selic resolver uma dívida que já está no nome da pessoa. Mesmo com o corte de ontem, o efeito nos contratos antigos ainda vai demorar a aparecer e renegociar é a única alavanca que o consumidor já tem em mãos hoje. É justamente aí que a gente atua: transformando um cenário macro difícil em uma decisão concreta que a pessoa pode tomar agora“, complementa Iódice. 

Para quem está negativado ou com contas em atraso, a recomendação da Acordo Certo é mapear todas as dívidas ativas antes de negociar, priorizar as de juros mais altos (como rotativo do cartão e cheque especial), buscar as condições de desconto diretamente com credores ou plataformas de negociação, e evitar contrair novo crédito para pagar dívida antiga sem antes reorganizar o orçamento.

Metodologia: O estudo “O começo de uma década – A evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20” foi desenvolvido pela Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre, com base em dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central do Brasil referentes a janeiro de 2021 a dezembro de 2025, complementados por pesquisa de percepção com 2.533 usuários da plataforma Acordo Certo, realizada entre 26 de maio e 11 de junho de 2026. 

Sobre a Acordo Certo: A Acordo Certo é a marca de renegociação de dívidas do ecossistema Consumidor Positivo, joint venture formada em 2023 entre o SCPC/Boa Vista e a Red Ventures. Fundada em 2015, a plataforma integra renegociação de dívidas, consulta de score e CPF, marketplace de crédito e orientação financeira em um único ecossistema digital, sem cobrança por telefone. A solução já possui uma base de mais de 50 milhões de CPFs e está disponível gratuitamente para Android e iOS.

*Conteúdos assinados são de responsabilidade dos próprios autores e das autoras.

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