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Pausas que falam: o uso do silêncio para melhorar decisões e reduzir conflitos no trabalho 

Fonoaudióloga corporativa Juliana Algodoal explica como a ausência de palavras pode amplificar presença, fortalecer escuta e potencializar liderança

*Por: Assessoria de Comunicação

Nunca quebre o silêncio se não for para melhorá-lo, dizia Beethoven. Nas sinfonias do compositor, as pausas eram mais do que ausência de som, eram momentos de intensidade e poder. No mundo corporativo, a lógica é a mesma. O silêncio estratégico, ainda subestimado, pode ser uma das ferramentas mais influentes à disposição de líderes

Pesquisas recentes do Fórum Econômico Mundial indicam que líderes que sabem silenciar intencionalmente recebem avaliações mais altas, constroem vínculos de confiança mais sólidos e tomam decisões mais assertivas.

Para a fonoaudióloga Juliana Algodoal, PhD em Análise do Discurso e referência nacional em comunicação corporativa, o silêncio aplicado com propósito não é omissão. É estratégia. Ele amplia a presença, fortalece a escuta e transforma relações profissionais. “Eckhart Tolle, autor do best-seller O Poder do Agora, afirma que a verdadeira comunicação acontece no silêncio entre as palavras. No ambiente de negócios, entender esse poder é fundamental para liderar com eficácia e autenticidade, diz. 

Um artigo da Harvard Business Review aponta que pausas intencionais em reuniões fazem líderes serem percebidos como mais ponderados e competentes. Do ponto de vista neurocientífico, o silêncio reduz a sobrecarga cognitiva, organiza o pensamento e estimula respostas mais criativas e assertivas. “Comunicar-se não é apenas falar. Muitas vezes, é o que deixamos de dizer que reforça nossa autoridade. O silêncio pode prevenir conflitos, fortalecer relações e proteger a reputação de maneiras que as palavras nem sempre conseguem“, comenta a especialista. 

Juliana reforça que o silêncio pode ser tão estratégico quanto a falaEm videoconferências, por exemplo, falas longas se perdem facilmente entre distrações, enquanto o silêncio bem dosado retoma a atenção e transmite segurança. No Brasil, no entanto, ainda existe o viés cultural que associa falar muito à competência. Mas o silêncio intencional não significa falar menos, mas falar com mais propósito. É sinal de liderança e autocontrole

Para auxiliar nesse processo, a especialista compartilha três formas de usar o silêncio como aliado no trabalho:

Pausas para reforço: após uma mensagem importante, silencie por alguns segundos. Isso aumenta a retenção da informação;

Respostas com fôlego: antes de responder a perguntas difíceis, respire e pause. Isso demonstra ponderação e diminui riscos de respostas impulsivas;

Escuta ativa: evite preencher cada espaço com palavras. O silêncio encoraja o outro a se abrir e aprofundar suas ideias. 

Obviamente essa abordagem de comunicação requer a compreensão de critérios específicos, considerações de tempo e fatores de risco para determinar quando ficar em silêncio é mais eficaz do que uma resposta imediata. Mas o fato é que saber calar é tão importante quanto saber falar. Essa é uma competência essencial para líderes do século 21, conclui Juliana.

Juliana Algodoal: é considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fonoaudióloga pela PUC/SP e fundadora da empresa Linguagem Direta*. Acumula mais de 35 anos de experiência no desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial – tendo como clientes grandes companhias, como BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. É coautora do livro Thought Leadership: muito além da influência e presidente do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

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