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É possível viver e conviver com as diferenças

*Por: Ìyá Márcia d’Ọ̀gún

As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo“? Mahatma Gandhi

Vivemos num país que é diverso em muitos aspectos. Diverso em etnia, em gênero, em orientação sexual, em orientação político-partidária, mas também em orientação religiosa.

Mas é possível conviver com tantas diferenças? Sim, É possível conviver com quaisquer tipos de diversidade, basta que tenhamos como base o RESPEITO.

E não podemos esquecer que o respeito demonstra um sentimento positivo por uma pessoa ou para uma entidade e também ações específicas e condutas representativas daquela estima…

Respeito também pode ser um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do respeitado!!!

O respeito impede que uma pessoa tenha atitudes reprováveis, autoritárias ou injustas em relação a outra. Respeitar não significa concordar plenamente com outra pessoa, mas significa não discriminar, ofender ou impedir que uma pessoa realize suas próprias escolhas!!!

Na nossa religião, CANDOMBLÉ, o RESPEITO é primordial e ele vem associado à HIERARQUIA, assim aprendemos com NOSSOS ANCESTRAIS. Aqueles que não respeitam estão infrigindo as leis do SAGRADO!!!
Vamos dar ao outro o que queremos para nós!!!
O que adianta lutarmos tanto contra todas as formas de discriminação e racismo e desrespeitarmos as diversidades.

E é por isso que estendemos o RESPEITO, que cultivamos nas nossas comunidades, aos irmãos de outros segmentos religiosos, quando fortalecemos a cultura da PAZ, através do DIÁLOGO INTERRELIGIOSO.

Quando entendermos que as diferenças religiosas são meramente um estado transitório, físico, e que o saber do Cristo e dos Ọ̀riṣà, tendo Ọ́ṣalá como o Grande Ọ̀riṣà Pai da Vida e da Paz, são convergentes e fontes de fortalecimento da FÉ, estaremos adquirindo a consciência aberta a esse diálogo (InterReligioso) e às diferenças fraternais. Todos nós temos uma Essência Divina interna perene, independente da FÉ que professamos.

Hoje, 27 de fevereiro de 2023, acontece o lançamento oficial do Comitê InterReligioso da Bahia, do qual componho a coordenação, e o meu desejo é que tenhamos atitudes que incentivem uma cultura de paz na humanidade SEMPRE.

Vida longa ao CIRB. RESPEITO E PAZ, SEMPRE!

Sigamos na FÉ e não percamos a ESPERANÇA 🙏🏾. UMA TERÇA-FEIRA ABENÇOADA POR BÀBÁ ÒGÚN!

*@Ìyá Márcia d’Ọ̀gún é Iyalorixá do Ìlẹ̀ Àṣẹ Ẹwà Ọ̀lódùmarè, um Terreiro de Tradição Ijexá, em Lauro de Freitas; Doutora Honoris Causa pela Faculdade Formação Brasileira e Internacional de Capelania e Ordem de Capelães do Brasil; Coordenadora da Renafro (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde – Núcleo Lauro de Freitas); Membro da Renadir (Rede Nacional da Diversidade Religiosa e do Comitê InterReligioso da Bahia); Presidenta do Conselho Municipal de Política Cultural de Salvador; além de professora aposentada.

  • Os textos assinados, são de responsabilidade de seus autores.

Um Comentário

  1. Excelente explanação. Precisamos entender que estamos vivenciando um estado transitório da evolução do espírito e este plano faz parte da escola universal, onde todos nós somos aprendizes. Cada religião tem a sua maneira de cultuar a sua divindade e os seus guias que aqui aportaram e nos ensinam a viver em harmonia. Temos no mestre Jesus um espírito de escol, que nos ensinou a amar ao próximo como a nós mesmos. Viver sem respeitar as crenças e as religiões alheias é viver sem amar, é viver sem ser indulgente, é viver fora da caridade. Mas cada um tem o seu tempo para alcançar a maturidade espiritual e este chegará , afinal, estamos caminhando para a regeneração da humanidade.

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