Nascido em 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores, em Buenos Aires (Argentina), Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, completou ontem, 86 anos de idade. De acordo com as informações, ele é o 266º Papa da Igreja Católica.
Segundo o Vatican News, Francisco não é muito adepto à comemorações ao seu aniversário. Ao invés disso, ele prefere celebrar a data da sua ordenação sacerdotal, a qual, no último dia 13 também deste mês, completou 53 anos. ‘Em 13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote pelo arcebispo Ramón José Castellano‘, diz a publicação.
Com orgulho, o Papa revelou que descobriu sua vocação aos 17 anos, após ter-se confessado com um sacerdote, em 1953. “Senti que algo mudou. Eu não era o mesmo. Tinha ouvido como uma voz, um chamado: estava convencido de que devia ser sacerdote“, lembrou ele.
Em um texto de Bianca Fraccalvieri veiculado neste sábado pelo Vatican News, ela transcreve um dos principais apelos do Pontífice, que nos últimos dias tem se locomovido em cadeira de rodas: “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim“.
Também um outro veículo de comunicação, publicará neste domingo (18), uma reportagem completa com o Papa Francisco. Trata-se do jornal espanhol ABC. Seu diretor Julián Quirós e o correspondente Javier Martínez-Brocal, bateram um papo com o líder católico.
Aos jornalista, Francisco falou sobre sua saúde, missão de ser Papa, agenda, situações embaraçosas com aproveitadores, etc. Confira trechos abaixo.
*Imagem: Reprodução/Vatican News

ABC: Como está o joelho?
Papa: Já estou caminhando, a decisão de não me operar acabou sendo a decisão certa.
ABC: O senhor está com muito bom aspecto…
Papa: (Risos) Sim, eu já atingi a idade em que você tem que dizer: “Você está com bom aspecto!
ABC: Quando vi o senhor na cadeira de rodas, pensei que sua agenda iria diminuir, em vez disso, triplicou.
Papa: Governa-se com a cabeça, não com o joelho.
ABC: No dia 13 de março, o senhor festejará dez anos como Papa. Sua eleição nos pegou a todos de surpresa.
Papa: Também a mim. Eu tinha reservado meu bilhete de volta a Buenos Aires a tempo para o Domingo de Ramos. Eu estava muito calmo.
ABC: Como aprendeu a ser Papa?
Papa: Não sei se aprendi ou não… A história pega você onde você está.
ABC: O que acha mais difícil em ser Papa?
Papa: Não poder andar nas ruas, não poder sair. Em Buenos Aires eu era muito livre. Eu usava transporte público, eu gostava de ver como as pessoas se moviam.
ABC: Mas o senhor ainda vê muita gente…
Papa: O contato com as pessoas me recarrega, por isso não cancelei nem mesmo uma audiência de quarta-feira. Mas sinto falta de sair pelas ruas porque agora o contato é funcional. Eles vão “para ver o Papa”, essa função. Quando saia pela rua, eles nem sequer sabiam quem era o cardeal.
ABC: Aqui em Santa Marta o senhor vê muitas pessoas. Alguns parecem tirar proveito disso e fingir ser amigos do Papa para seus próprios interesses.
Papa: Há seis ou sete anos, um candidato argentino veio à Missa. Eles tiraram uma foto fora da sacristia e eu lhe disse: “Por favor, não a use politicamente”. “O senhor pode ficar tranquilo”, respondeu ele. Uma semana mais tarde, Buenos Aires foi rebocada com aquela foto, adulterada para fazer parecer que se tratava de uma audiência pessoal. Sim, às vezes eles me usam. Mas nós usamos Deus muito mais, então eu fico quieto e vou em frente.
ABC: Também deve ser difícil que cada palavra que o senhor pronuncia seja calibrada.
Papa: Às vezes eles o fazem com uma hermenêutica prévia ao que eu disse, para me levar para onde eles querem que eu vá. “O Papa disse isto”… Sim, mas eu disse isso em um determinado contexto. Se você retira do contexto, significa outra coisa.
ABC: Nenhum Papa jamais fez coletivas de imprensa ou deu entrevistas falando tão livremente.
Papa: Os tempos mudam.
ABC: Que presente pediria para este Natal?
Papa: Paz no mundo. Quantas guerras há no mundo! A da Ucrânia nos toca mais de perto, mas pensemos também em Mianmar, Iêmen, Síria, onde se combate há treze anos…