Uma palestra recomendada para mulheres e homens que buscam empatia ao invés de conflitos; Comunicação não violenta

Uma palestra que com certeza vai te dar uma nova percepção sobre a vida e sobre como saber lidar com o(a) outro(a). Assim é Comunicação não violenta, “Como sentimos, falamos e escutamos o(a)s outro(a)s”. O projeto é baseado na obra homônima do psicólogo americano, Marshall Rosenberg.
Com uma oratória inteligente, dinâmica e interativa, que dura aproximadamente 1h, a palestrante Sandra Roza, traz em sua eloquência, luz para resoluções de conflitos e caminhos para uma convivência mais amorosa e empática entre as pessoas. O evento foi organizado pela empreendedora Elise Albuquerque.
Natural de Cabaceira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, mas residindo em Cruz das Almas, Roza [com z] é graduada em Letras com Espanhol pela UNEB, tem Especialização e Mestrado em Língua e Cultura pela UFBA. Ela também é escritora e está formando em Psicanálise. No final da palestra que aconteceu na loja coletiva Ubuntu, na tarde deste sábado(22), ela bateu um papo com o Acesse News. Confira aí…
Acesse News: Uma palestra para quem se interessar em ter uma boa comunicação, homem/mulher… ser humano. É mais ou menos por aí ou eu fiz um preâmbulo errado sobre a sua temática?
Sandra Roza: [Risos] Não, você não fez um preâmbulo errado. Nos reunimos hoje, para falar sobre Comunicação não violenta. O que é essa Comunicação não violente? É uma reflexão sobre como falamos, sentimos e escutamos o(a) outro(a). Hoje, a gente estuda a comunicação não violenta e ela nos traz essa luz, que a comunicação [entre as pessoas] deve ser feita com compaixão, com amorosidade. A conversa, ela pode sim, ser regenerativa. Ela pode sim, trazer paz. Resolver conflitos e com certeza, promover a união entre as pessoas, a partir do momento que a gente tem a consciência, de que a humanidade, é validada, quando a gente produz valores, virtudes e sabedorias. Então, ao promover valores, virtudes e sabedoria, eu estou sendo um ser humano melhor. E a Comunicação não violenta vem nos ajudar nesse sentido.
A.N: Realmente…
*Foto: Divulgação

SR: Agora tem uma coisa… Dell. Antes de escutar o(a) outro(a), antes de observar o(a) outro(a) e falar do(a) outro(a), a gente tem que falar sobre nós mesmo(a)s, escutar nós mesmo(a)s e pensar em nós mesmo(a)s. Nos acolher nessa condição de ser humano. Nos entender, nos perdoar. Porque uma pessoa que não se perdoa, muito dificilmente vai acolher e vai perdoar o(a) outro(a), porque ela não vai ter esse discernimento em si. Então, a Comunicação não violenta, primeiramente nos leva a vê a questão interna do nosso desenvolvimento.
A.N: Quando ouço você abordar a Comunicação não violenta, me vem a questão das pessoas atualmente estarem muito intolerantes e agressivas umas com as outras. E isso é muito notado com a polarização da política, por exemplo. Como trabalhar isso?
SR: Na verdade [isso] não é novidade. É claro que esse momento esquenta os ânimos. O momento da polaridade entre os partidos deixa as pessoas muito alteradas e infelizmente a violência se propaga muito, principalmente na questão da comunicação. Mas esse fenômeno tem acontecido desde sempre. Na história [da humanidade] há registros da comunicação violenta. Mas também, há registro na história, da comunicação não violente. E muitas vezes, inclusive, há dois mil anos, Jesus utilizou a Comunicação não Violenta. Na forma Dele falar… é só observar como Ele conquistava [as pessoas], como Ele cativava, como Ele tinha compaixão em Suas palavras. E muitos outros [líderes] Dalai Lama, enfim… essas pessoas trouxeram a Comunicação não violenta, mas foi o Marshall Rosenberg, psicólogo americano, quem estruturou esse estudo, em um livro lindo chamado Comunicação não violenta, o tema [da minha palestra] é o nome do livro, ele estendeu isso amplamente. Quem quiser pode adquirir o livro para ler e melhorar a sua conduta, sempre pensando no “eu” vou melhorar para entender o(a) outro(a), para receber o(a) outro(a) e acolher o(a) outro(a). Se todos tivessem esse pensamento, seria maravilhoso porque em pouco tempo a gente teria seres humanos, com certeza, muito mais voltados para desenvolver a sua humanidade. Mas sabemos que essa não é a realidade. Então, cabe a quem detém o conhecimento, se melhorar para conseguir de alguma forma, acolher e ajudar as outras pessoas.
AN: Nessa palestra, eu pude observar todas as mulheres presentes, se identificando com o que você falava e era notória a sua interação com elas. Como fazer para isso que você traz, seja mais multiplicado, não só para o ambiente feminino?
SR: São as vivências. As meninas se identificam, porque nossas vivências são muito parecidas. Essa coisa de mãe, de dona de casa, de [vida] profissional, de esposa ou de namorada, são muito parecidas. Então, quando a gente se identifica, as história se completam. Mas, esse tema Comunicação não violenta, não é apenas voltado para as mulheres. É um tema voltado para o ser humano. E também os homens, precisam ter esse olhar para a sua comunicação, assim como as mulheres precisam. Quando eu falo os homens, é porque geralmente nesses eventos, a gente sempre vê as mulheres buscando mais essa coisa da melhoria interna, o desenvolvimento espiritual e a gente vê poucos homens buscando isso. – O convite é para que os meninos/homens também entendam que em certos momentos, eles também acabam sendo vítimas do machismo. Eles muitas vezes, precisam vestir a capa da força o tempo todo e ter uma fala agressiva por serem homens, mas não precisa ser assim. Eles podem ser [mais] humanos e desenvolver suar virtudes, sem perder a sua masculinidade. Podem sim ter mais compaixão, assim como nós mulheres também podemos. Mas os meninos têm essa questão de serem rotulado e que precisam ser o tempo todo duro. Não, não precisa. Podem também, em suas falas, deixar o amor transparecer, sem deixar de ser masculino. Isso é muito interessante.
AN: A gente sabe que tudo isso é um processo. O que você acha que deve ser feito, para que esses homens estejam mais presentes em ambientes como esse?
SR: Assim, porquê é muito comum, a violência nas falas [seja] no trânsito, no local da trabalho… as pessoas usam muito o estilo passivo/agressivo para agredir o((a) outro(a), de forma irônica. Às vezes esse(a)s outo(a)s não conseguem passar uma mensagem, nem para se defender. E ficam muito desconfortáveis diante de alguém que tem uma posição e uma força maior para falar. Isso é muito comum, por exemplo, em nossa casa quando a gente rotula um(a) filho((a) de preguiçoso(a), dorminhoco(a), isso acaba bloqueando a compaixão e não ajuda que esse ser humano, modifique o seu comportamento por consciência de que precisa modificá-lo, para fazer bem à ele(a) mesmo(a). Mas, muitas vezes ele(a) fazem isso, por medo da punição. Então, é muito perceptível como essa comunicação violente acontece na família e no local de trabalho. E nesses locais corporativos, acontecem muito por conta da pessoa que está lá na posição de poder e se sente confortável em ser violento com os outros. – Mas todos podem melhorar, todos pode mudar.
AN: Isso que você descreve, pode ser chamado de vício de comportamento. E se for, como desconstruí-lo?
SR: Eu não sei se o nome seria um vício. Mas digamos que seja, um hábito. Mas todo hábito pode ser substituído. Se eu tenho um hábito de ser violenta de alguma forma em minha comunicação, eu posso, transmutar para um [hábito] não violento. Mas isso é um processo. Requer, um trabalho terno. Uma disposição. A coragem de ser imperfeito e olhar para si e dizer, ‘eu posso melhorar’. Começa daí. É um trabalho, que começa pelo primeiro passo. Eu posso ser um ser humano, que produzo muito mais valores e virtudes, quando eu mudo a minha comunicação e quando eu gero disso, frutos para enriquecer a minha vida e a vida de outro(a)s [pessoas].
AN: Como já falamos, essa palestra merece ser expandida. Hoje foi a primeira edição aqui na Ubuntu. E a partir de agora e 2023… qual é o seu planeamento para esse trabalho?

SR: Bom, a palestra Comunicação não violenta, Como sentimos, falamos e escutamos o(a)s outro(a)s, foi pensada, justamente por eu me sentir incomodada em ambientes de família, de trabalho, corporativo, muitas pessoas se comunicando de forma a ferir uns aos outros. Perdendo a humanidade. Perdendo amigos, gerando conflitos, separação de casal. Muito [disso] acontece por conta de uma comunicação inadequada. Uma comunicação que viola a nossa humanidade e que nos fere. Então, eu montei essa palestra como uma forma de levar as pessoas à refletirem sobre esse tema. E a ideia, é que ela seja amplamente divulgada. Hoje foi a estreia. Fiquei muito feliz com o resultado. Quem tiver interesse [empresas, escolas, entidades, universidades], pode me chamar no direct pelo @sandra_roza no Instagram, ou na WhatsApp (11) 9 7272-4363. A gente discute preços e logística. A ideia é que essa palestra seja para todos os públicos e faixas etárias.
AN: Uma coisa que me chamou a atenção em sua fala, foi quando você fez referências às diferenças entre os tipos de elogios. Você até fez um recorte sobre sua vida, para quem te conheceu, por exemplo, há cinco anos e viam alguns de seus ‘defeitos’. Qual exatamente é essa diferença quando alguém elogia a Sandra por uma ação, mas num contexto que aquela citação te soa pessoal? Descreva isso melhor…
SR: Primeiramente a questão do ‘defeito’. Não é que a gente tenha defeitos. Quando a gente pratica atos que de repente não se orgulha de ter praticado, é porque a gente estava vivendo em um caminho, desconectado de nós mesmo(a)s. Não estávamos atentos à compaixão com nós mesmo(a) e daí a gente comete atos, que nos fazer perder a nossa conexão com o divino que há dentro de nós, em nosso centro, em nosso eixo. Quando a gente está vulnerável, tendemos a realizar ações, que digamos, não seriam, propícias para aquele momento. A gente vai na contramão da vida. Agimos por impulso. E geralmente a impulsividade traz consequências que a gente tem que arcar com elas, né? [mais risos] E aí, voltando à sua outra questão – os elogios. Muitas vezes a gente se sente desconfortável ao receber um elogio. Porque a pessoa que faz o elogio, às vezes o fez, para lhe manipular para ganhar alguma coisa em troca e a gente percebe. [Ela faz isso] ou por não saber se posicionar, elogia você, ao invés da ação que você fez. – Por exemplo, digamos que eu tenha distribuído cestas básicas, [entendo] que o elogio deva ser… Sandra, ‘o ato de você distribuir cestas básicas, foi muito positivo, parabéns’. Mas se a pessoa lhe fala… ‘nossa, Sandra, você é tão maravilhosa, você arrasa. Você é demais’. Eu não me beneficio com isso. [Eu acho que] o elogio não foi direcionado corretamente. Mas, eu não julgo a pessoa que me fez esse tipo de elogio, porque às vezes, ela não sabe mesmo como elogiar. Então ela vai falar do jeito que vem [risos novamente]. Ela quer dizer que foi bom [o que eu fiz] mas não sabe falar sobre a ação, fala sobre a pessoa.
AN: Mas e aí…?
SR: Aí a importância de a gente conhecer sobre a Comunicação não violente, é que [com isso] a gente também aprende esses macetes. Sobre como deixar uma pessoa mais confortável, até para receber um elogio e nunca utilizar o elogio, em hipótese nenhuma, para manipular, ou para querer alguma coisa em troca. Ou [fazê-lo] em forma de cinismo, ou uma inverdade. O elogio deve ser para celebrar a pessoa, quando no caso, ela escovou o cabelo, ou estava numa dieta e conseguiu emagrecer, enfim… Ou na ação, na obra que a pessoa realizou.