Trezena de Santo Antônio: é tempo Sagrado na Bahia

O mais popular dos santos da Bahia e no Brasil, de origem portuguesa, Antônio de Pádua (Santo Antônio), através dos franciscanos popularizou-se e chegou a ter concedida pela Câmara Municipal, em tempos remotos, a patente de soldado, capitão e depois, de sargento mor, até chegar a tenente-coronel, no reinado de Dom João VI, com direito a soldo, verba, esta, recebida até meados do século XIX pelos franciscanos.
Na fortaleza de Morro de São Paulo (na Bahia), a sua patente era de alferes. Já foi padroeiro de Salvador e usava faixa militar, em tamanho natural, desde os primórdios da construção da Igreja da Barra, entre os anos de 1595 e 1600, na capital baiana.
Venerado como santo militar desde o século XVII, na capela de Nossa Senhora da Vitória, na Cidadela de Cascais, próximo a Lisboa, ainda hoje uma imagem do santo português ostenta a Cruz de Ouro das Campanhas da Guerra Peninsular e um manto com o distintivo de granadeiro.
No Brasil, além desses títulos, é também o “advogado dos pobres”. E pães são distribuídos em seus festejos, sendo guardados na farinheira para que não falte alimentos. Conhecido também como Santo casamenteiro, cujas tradições, incluem roubar o menino dos seus braços, quando não sua imagem inteira, enterrá-lo, colocar de cabeça pra baixo, entre outros ‘castigos’…
“Se milagres desejais, recorrei à Santo Antônio (…) recupera-se o perdido”, canta-se para achar as coisas já perdidas e impossíveis milagres.
Talvez pela presença militar e guerreira, Santo Antônio sincretizou-se com Ogum, o orixá dos ferros, armado pra guerra, vencedor de batalhas, que nas religiões de origem Ketu, abrem os caminhos e daí sua popularidade, pois nas festas do Santo, negras e negros aproveitavam pra fazer a famosa feijoada e suas brincadeiras que misturaram-se às quadrilhas e popularizaram-se abrindo os festejos juninos.
Curiosamente, apesar de tão festejado em diversas cidades da Bahia, com suas trezenas cantadas, inicialmente em latim, mas abrasileiradas cada vez mais com ritmos de samba e marcadas pela oralidade, o único registro.
*@Paula Anias, é escritora, poeta, contista, produtora cultural do Território de Identidade do Recôncavo da Bahia. Autora de obras como História sua e minha, Beiju de coco da Nenzinha, Conto para Kirimure e o Terno de Reis Encantado. (Colaboradora do Acesse News, sem vínculo empregatício).
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