DestaqueENTREVISTAS ANMUNICÍPIOSPOLÍTICA

Presidente da Câmara de Cruz das Almas fala sobre os últimos tumultos nas votações do DICA II, seu primeiro ano de gestão e futuro político

*FotosAndré Quaresma

**Matéria revisada hoje (25) as 2h30min

A Câmara Municipal de Cruz das Almas, no Recôncavo da Bahia, realizou nesta quarta-feira (22) sua 17ª Sessão Extraordinária, para votação do PPA (Plano Plurianual – 13/2021) e o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual 14/2021), que estima receita e fixa as despesas do município.

No final dos trabalhos, o Acesse News entrevistou o presidente da Casa, vereador Thiago Chagas (PSD), que fez um balanço desse primeiro biênio de sua gestão. Falou sobre as polêmicas nas votações dos últimos projetos e também sobre seu futuro político. Possível candidatura à prefeitura de Cruz das Almas.

Acesse News: Presidente Thiago Chagas, o senhor é filho de um ex-vereador, um político desta cidade. E aí, também ingressa na política. O que levou um jovem, optar pela carreira política, além, talvez, da influência familiar, o senhor que é advogado, atuante na profissão?

Presidente Thiago Chagas? Primeiro agradecer à Deus, à família, aos amigos, aos meus eleitores e ao Acesse News, pela oportunidade de falar à sociedade cruzalmense. Falar da minha felicidade de estar vereador, presidente [da Câmara], minha felicidade pessoal e familiar. Como você bem pautou, sou filho de um ex-vereador, Mário do Jornal e dona Célia, professora. Talvez você faça esse parâmetro, quando me candidatei, em 2016, meu pai estava vereador [abriu mão da vereança para sua candidatura] e não concorreu para prefeito, nem para vice [prefeito]. Na história de Cruz das Almas, acredito que não haja nada parecido, da pessoa está com um mandato e não querer mais disputar e aí ter o filho disputando e ele não querer sair candidato [junto] nem à prefeito, nem à vice-prefeito. E quando você pergunta o que me motivou a entrar na vida pública, eu posso lhe confessar que até meus 25 anos de idade, não pensava em ser político. Na verdade, não queria ser político. Aos 19 anos, fui para Salvador fazer faculdade de Direito, me formei aos 24 anos, em 2010 e estava seguindo a minha vida. Permaneci em Salvador, onde passei num concurso público, pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), como analista de arrecadação, com minha vida profissional encaminhada. Casei em Salvador, apesar de a minha esposa também ser aqui de Cruz das Almas, a Valéria (em tempo, mando aqui o meu abraço para ela e nossas filhas, Maria Lúcia e Maria Elisa), ela também estava trabalhando lá [em Salvador], fizemos faculdade lá. Então, estávamos de fato, encaminhados para vivermos na capital baiana. E aí, eu me lembro que num final de ano, um momento muito parecido com esse, eu disse ao meu pai, quando ele desistisse da carreira política, eu iria tentar. Mas eu não imaginava que ele deixaria tão cedo. Até porquê, ele tinha pretensão de concorrer à prefeitura, ou à vice-prefeitura e o acordo dentro do partido dele, à época o PTB, era: se Mário fosse candidato na chapa majoritária, o filho não sairia candidato. E aí falei, ‘olha’ pai, eu não vou entrar nesse momento, para não atrapalhar a sua vida política. Eu vou esperar meu momento, se Deus assim permitir. E logo após o São João [2016], quando as chapas [eleitorais] começam a ser definidas para as convenções partidárias, ele me ligava dizendo não sairia mais candidato à chapa majoritária, nem à vereador. Então eu vi alí a minha oportunidade. Ele nem imaginava que eu largaria tudo em Salvador, para voltar à Cruz das Almas, para concorrer [a vereador] e eu disse à ele, eu vou. Se o povo da minha Terra acreditar e confiar em mim, eu deixarei tudo que já construir aqui em Salvador, para trás e vou pra minha Terra fazer uma política diferente. E venho tentando fazer uma politica nova. Uma política propositiva. Pensando no crescimento da cidade. É claro que não sou perfeito, tenho as minhas falhas, mas venho tentando acertar mais do que errar.

AN: O senhor falou aí, ter aproveitado a oportunidade de o seu pai [vereador a época], não desejar mais lançar-se a novas candidaturas, para colocar o seu nome à disputa. Mas, caso ele ainda quisesse concorrer para vereador e o PTB permitisse, o senhor se lançaria, numa candidatura paralela à dele. E você também era filiado ao PTB?

PTC: De jeito nenhum [disputaria com ele]. Eu estava filiado ao PTB desde meus 18 anos de idade. Eu sempre fiz campanha como cabo eleitoral do meu pai. Meu pai é minha base, alicerce, meu amigo, ‘irmão-parceiro’ e assim, nada que o meu pai estiver disputando, eu disputarei junto com ele. Eu só entrarei na disputa, para apoia-lo. É uma pessoa por quem eu tenho uma paixão muito grande e tenha plena certeza, seu o meu ‘coroa’ como se diz, chegar e falar, quem vai à disputa sou eu [ele], abaixarei o meu cangote e seguirei atrás dele.

AN: Hoje o senhor está em seu segundo mandato, vindo da experiência da legislatura anterior. Como foi essa segunda disputa, já tendo se apresentado para o público de Cruz das Almas?

PTC: Além do apoio familiar, tivemos mais apoio de amigos e amigas. Nós fomos o único vereador reeleito que teve crescimento nas urnas. Saímos de 629 votos em 2016, para 1.281 votos em 2020. Mas isso não foi só Thiago Chagas. Foi um grupo de amigos e amigas, eleitores e eleitoras, a família e sem sombra de dúvidas, a Benção de Deus, que fizeram com que nós chegássemos. Então, eu percebo que esse crescimento se deu por um conjunto maior que foi formado em torno de um nome, que foi o nosso.

AN: Percebe-se a sua maturidade e vocação, a ponto de já no início do segundo mandato, receber o apoio de ambas as bancadas para ser o presidente da Casa. Que avaliação o senhor faz desse processo?

PTC: Esse é um outro momento de muita gratidão. Porque hoje está presidente da Câmara de Vereadores, sem sombra de dúvidas, é uma honra. Cruz das Almas com certeza é uma cidade das mais importantes da nossa Bahia e chegar à presidência com os 14 votos (dos 15 edis da Casa) e ser eleito de forma unânime, nos dá uma felicidade muito grande e nos dá uma responsabilidade ainda maior, porque isso nos condiciona também, de quê temos que ser o mais imparcial possível, porque contamos com a confiança de todos os pares. Eu não lembro, num passado recente, nenhum presidente ter sido eleito com todos os votos da Casa.

Plenário da Câmara em dia de Sessão

AN: E esses votos… como foi costurado isso. Houve algum acordo… ou se por acaso o senhor queira disputar a reeleição, se o Regimento Interno permitir, buscará a presidência novamente ou já ficou definido na sua eleição, que terá que apoiar outro candidato, seja de sua bancada, ou da oposição?

PTC: Olha… a política é feita de diálogo. Eu não trataria como acordo e sim, como diálogo. Aqui eu quero deixar também meus agradecimento ao ex-prefeito, Orlandinho, ao ex, vice-prefeito Max, ao presidente do partido ao qual eu faço parte, Mário do Jornal, ao presidente do PT, Elias Nascimento e aos vereadores da nossa base aliada, Osvaldo da Paz, Pedro Melo, Pablo Resende, Paulinho Policial, Ricardo Pinheiro, Roberto Ximba e Carlos Trindade. Foi desse grupo que partiu o direcionamento de a presidência [da Câmara] nesse primeiro biênio ser o Thiago Chagas. E no diálogo também, com os demais pares da Casa, nós conseguimos construir uma votação de forma unânime. Em relação à reeleição, o Regimento permite. Mas vejo que isso ainda é muito precoce [falar sobre o assunto agora], ainda estamos encerrando o primeiro ano e eu ponho na cabeça que tenho que trabalhar e fazer o meu melhor. As coisas fluem com naturalidade. Vamos passar agora [2022] por uma eleição para presidente da República, governo do Estado, senador, deputados e eu vejo que toda essa substância política que será construída agora em 2022, também nos dará um norte sobre presidência de Câmara, sobre 2024 e as relações futuras da política de Cruz das Almas.

AN: E que avaliação o senhor faz do seu primeiro ano de gestão. As questões dos embates, não os normais, mas sim, aqueles que às vezes extrapolam e descabam para ataques pessoais. E outra questão, o prolongamento das Sessões, às vezes terminando quase meia noite. Será possível haver mais de uma Sessão por semana?

PTC: Sobre a avaliação, enquanto presidente da ‘Casa do Povo’, eu nunca gostei de me auto-avaliar. Gosto de fazer auto-crítica sobre meu comportamento pessoal, mas avaliação sobre gestão, eu nunca gostei de fazer. Eu posso dizer da minha felicidade em está representando o povo de Cruz das Almas e está na presidência nesse período. Também posso até falar de algumas ações, relacionadas à este ano de 2021. Logo que assumimos, a pandemia ainda estava muito forte. Contratamos uma empresa especializada em sanitização para a higienização da Casa. Tivemos a preocupação de adquirir máscaras para os vereadores e vereadoras, os funcionários e o público que frequenta a Câmara, caso tenham esquecido a sua, possa pegar uma conosco. Também compramos álcool 70%. Possibilitamos aos vereadores e vereadoras participarem das sessões de forma semipresencial [implantação de sistema digital], por conta da pandemia, para que aquele ou aquele que estivesse com algum sintoma ou suspeita [da Covid-19], pudesse participar por celular ou computador, de forma ativa, com direito a voz e a voto. Dessa forma, conseguimos garantir sessão todas as semanas e em nenhum momento de 2021 a Casa esteve fechada por causa da Covid-19. Outra ação de responsabilidade, que não foi nenhum favor, foi o pagamento do 13º salário a todos os funcionários, exceto aos vereadores. Acredito que depois dessa ação, nenhum outro gestor deixará de cumprir essa obrigação com esses trabalhadores. Sem desmerecer qualquer outro presidente que passou por aqui antes, a nossa prioridade é cuidar de gente.

AN: E por falar aí sobre pagamento do 13º aos trabalhadores, vamos abordar agora esses dois Projetos que tiveram discussões mais emblemáticas e mais acirradas nos últimos dias, que foram os PLs 016/2021 e 017/2021 sobre a DICA II e 13/2021 Plano Plurianual e o 14/2021 Lei Orçamentária Anual. Por quê tantas emendas, tantos pedidos de vistas, debates acalorados, suspenções e encerramentos de Sessões?

PTC: Na minha visão, por falta de diálogo. Falta de serenidade de algumas pessoas. Não vou citar nomes. Mas vamos por ordem cronológica, para falarmos desse projetos. Primeiro vamos falar sobre o DICA II, criação do novo Distrito Industrial em Cruz das Almas. Todo projeto tem sua tramitação regular. Nenhum projeto que chega [à Câmara], é votado do dia pra noite. A não ser, que haja um diálogo anterior a essa votação. Os vereadores e vereadoras têm o direito regimental de ter acesso a um projeto. De ter prazo para avaliação do projeto, inclusive, prazo para pedir vista. Mas eu percebi que o que aconteceu nesse caso do DICA II, foi muito mais um enfrentamento político. Um palanque político. Eu até comentei com o Procurador do Município e com o próprio prefeito [Ednaldo Ribeiro], de que a atitude de ter convocado a sociedade cruzalmense para ocupar a Câmara de Vereadores, só deveria ter ocorrido, depois de um diálogo do próprio prefeito e de sua base com os vereadores. Porque Cruz das Almas, como já falei, tem uma linha educacional de conhecimento muito grande. Nós não precisamos aqui, praticar uma política de baixaria, de ataques, nem de xingamentos. Infelizmente os Projetos do DICA II, que todos os vereadores votaram favoráveis, em determinado momento, virou uma quebra de braço política. Parecia que estávamos na disputa política [campanha] de 2020 e não, que estivéssemos administrando Cruz das Almas. Acredito que esse não tenha sido e nem será o único projeto espinhoso que virá. Teremos outros. Eu sempre deixei a Câmara de Vereadores a disposição do prefeito [para o diálogo], se não ele quiser vir, que nos convide, para quê, antes de enviar para cá, matérias importantes que possam causar estremecimento, que a gente dialogue antes. E aí quando trouxermos, elas já estejam maturadas e prontas para apreciação. Um diálogo, numa política de auto nível, sabendo reconhecer os direitos de cada um dos Poderes. Em relação às Matérias que foram votadas hoje (dia 22 – Plano Plurianual e Lei Orçamentária Anual), que alguns vereadores [da bancada de situação], até falaram se era ou não momento de propor emendas, eu, apesar de ser advogado, sigo as orientações jurídicas da Procuradoria Jurídica da Câmara de Vereadores, que nos deu o parecer de que essas Matérias, estavam com seus prazos tempestivos. Inclusive, uma Matéria que foi apresentada hoje, o Regimento prevê essa possibilidade se for assinada pela maioria da Casa, foi o que ocorreu. Nós consultamos o Plenário, para de fato saber se realmente os vereadores tinham assinado. Tanto que a Matéria teve sua tramitação aprovada, [nesse caso] votaram 14 vereadores, o presidente não precisou votar. A Matéria teve 8 votos favoráveis 6 desfavoráveis. Então, são questões que acirram e acaloram os debates. Alguns vereadores e vereadoras, de vez enquanto entram numa zona de conflito mais pessoal… mas, ainda assim, eu avalio esses dois projetos, das Leis Orçamentárias e da DICA II, em seus finalmente, foram aprovados por todos. Então, apesar dos percalços, o positivo foi que conseguimos a concretização de leis importantes para o nosso município.

AN: Falando agora sobre o Fundeb. A Câmara já está em recesso. Hoje (22), tivemos essa Sessão Extraordinária para o orçamento da prefeitura. E você deixou claro se houver necessidade, convocará outra extraordinária para essa reivindicação dos professores. Já houve alguma conversa com a prefeitura para saber se, de fato, os profissionais da educação vão receber esse direito, sem necessidade dessa convocação?

PTC: Foi justamente isso que falei ao final da Sessão de hoje. A prefeitura precisa se posicionar para dizer se vai ou não pagar. Se for pagar, dizer qual a previsão do pagamento. Se não for pagar, dizer o motivo. Já estamos há menos de nove dias para acabar o ano e nem todos esses dias são úteis e inclusive, dois deles [24 e 31] são pontos facultativos instituídos pela própria prefeitura. E ai, fica com essa insegurança jurídica e com essa angustia com a classe. Eu vejo que não é uma medida acertada. Nós ainda não fomos procurados. Mas eu já falei diversas vezes que estou à disposição. Mesmo no recesso parlamentar, a qualquer momento, a Câmara de Vereadores, através do seu presidente Thiago Chagas, irá convocar Sessão Extraordinária, se necessário, para garantir o direito dos professores e toda a classe da educação que faz jus ao rateio.

AN: Ano que vem teremos eleições para presidente, governadores, etc. Mas quero falar sobre 2024… já há comentários sobre sua intenção em candidatar-se à prefeitura. Caso seja eleito, o senhor será o primeiro prefeito negro de Cruz das Almas. O senhor até falou que lá atrás, seu pai Mário do Jornal teve essa pretensão. É claro que o senhor faz parte de um grupo político, onde outros nomes possam querer disputar também. Mas, isso já é um projeto do Thiago, sair candidato para representar esses negros ou dependerá de outras decisões?

PTC: O que posso lhe falar sobre o futuro, 2024, em relação a uma candidatura à prefeitura de nossa cidade, é que eu tenho pedido muita saúde e sabedoria à Deus. E tenho me preparado para que no futuro eu possa sim está representando o povo da minha Terra. Mas, sem brigas políticas. Eu respeito muito as outras lideranças do grupo ao qual faço parte. Inclusive, o ex-prefeito [Orlando Peixoto], o ex, vice-prefeito [Max Passos]. O que eu coloco é quê, cada um tem que buscar seu espaço e seu momento político, sem vaidade pessoal. Tenho conversado muito com minha família. Mas, é o povo quem vai dizer. A medida do comportamento do vereador Thiago Chagas, a sociedade é quem vai dizer. Não sou eu quem vou, de fato, com ambição pessoal e individual, colocar na minha cabeça que tenho que ser candidato de qualquer forma. São as pessoas, no dia a dia, a sociedade… à qual aproveito aqui para agradecer. Graças a Deus, tenho recebido muitas evolutivas positivas sobre o meu futuro político. Em relação à nossa negritude, eu digo o seguinte… é uma representação que nós precisamos ter. Independente de ser Thiago Chagas ou não, os negros e as negras precisam ocupar os espaços de poder. Até porque, nós temos capacidade pra isso. Nós somos maioria, mas não só por sermos maioria. Eu não gosto de fazer o discurso do vitimismo. Eu não quero que as pessoas votem em mim, por achar que sou coitadinho… porque sou negro. Eu sou negro sim, busco o meu espaço na sociedade, meu espaço na política. Tento todos os dias, demonstrar nossa capacidade e é por isso que tenho pedido muita saúde e sabedoria à Deus, para que a sociedade cruzalmense, independente de cor, acredite no nome de Thiago Chagas para prefeito dessa cidade.

AN: O senhor citou aí seu ex-prefeito e o ex-vice. Também comenta-se que ambos têm pretensões pela prefeitura nas próximas eleições. Caso isso se confirme e o senhor entende que é o seu momento. Pode haver uma dissolvição e debandada nesse grupo político?

PTC: Eu acredito que ambos que foram citados, são amigos. Maduros e muito mais experientes na política do que eu… [a reportagem interrompeu o entrevistado, emendando a pergunta abaixo]…

AN: … Mas, possivelmente o senhor represente essa mudança de que a sociedade até vem pedindo. Diferente de outros já experimentados, você está surgindo com uma postura e liderança de alguém novo nesse contexto.

PTC: Era exatamente isso que eu estava à falar [quando foi interrompido], que assim, a maturidade, o tempo de vivência de ambos, vão fazer com que essa construção de futuro seja natural. Aqui eu não posso cravar, serei eu. Porque a política não se faz dessa forma. A política se faz abraçando, unindo, somando e multiplicando. Então, como eu disse anteriormente, estou me preparando para que, nós possamos sim, nos tornar um nome possível à uma candidatura e acedito que isso vai ser construído de forma natural e madura, entre todas as lideranças que ocupam essa ala desse grupo político que não foi vencedor na última eleição.

Deixe seu comentário... é importante para nós!

Botão Voltar ao topo
%d blogueiros gostam disto: