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Brasil possui 2 milhões de trabalhadores por aplicativo, diz IBGE

Por: *Isabel Butcher

Em 2025, o Brasil possuía 2 milhões de trabalhadores por aplicativos – seja fazendo um trabalho secundário ou principal. Desses, sua maioria, 1,2 milhão, usava apps de transporte de passageiros, o que representa 58,9% desse contingente. Os dados são da PNAD Contínua, publicada nesta sexta-feira, 4, pelo IBGE.

No mesmo período, o Brasil tinha 102,4 milhões de pessoas ocupadas, ou seja, os trabalhadores por aplicativo representavam 1,9% do total de trabalhadores.

No período analisado, a população plataformizada era constituída principalmente por homens (84,4%), enquanto o percentual de mulheres estava em 15,6%. E, em relação à idade, 47% tinham de 25 a 39 anos. E, entre as motivações para fazer este trabalho, seja como motorista ou entregador, a maioria foi por não ter encontrado um outro ofício. Entre as outras motivações estão flexibilidade e rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis.

Dos 2 milhões, 1,8 milhão utilizavam as plataformas digitais em seu trabalho principal, o equivalente a 2% dos 89,6 milhões de trabalhadores do setor privado, e 182 mil exerciam essa atividade no trabalho secundário.

O contingente de trabalhadores usando apps como ocupação principal cresceu 36,8% entre 2022 (1,3 milhão) e 2025 e 9,1%, em comparação com 2024 (1,7 milhão), de acordo com os percentuais divulgados pela PNAD Contínua.

E, entre os trabalhadores que usavam apps para trabalhar, ou seja, 2 milhões:

1,2 milhão usava no transporte de passageiros, o equivalente a 58,9% do total. Desses, 232 mil usavam aplicativos exclusivos para táxi, e 1,1 milhão trabalhava com apps de transporte de passageiros diferentes de táxi.

376 mil eram entregadores.

313 mil trabalhadores usavam apps de serviços gerais ou profissionais, representando 16% do total de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços.

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Jornadas mais longas e previdência

Já em comparação com o tempo médio de horas trabalhadas por semana, aqueles trabalhadores plataformizados trabalharam 44,7 horas por semana, 5,4 horas a mais, se comparado com os demais trabalhadores no setor privado (39,3 horas por semana). E, por hora, os não plataformizados recebiam R$ 18,4/hora e os plataformizados, R$ 16,20, uma diferença de 12%.

Com relação ao rendimento médio mensal desses trabalhadores, a pesquisa apontou a média de R$ 3.147, similar ao estimado para aqueles que não trabalham em aplicativos (R$ 3.148).

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Motociclistas por app 

Os condutores de automóveis plataformizados cobertos pela previdência eram apenas 25,5%, enquanto que aqueles que trabalhavam em outros setores privados eram 59,2%.

Ao comparar condutores de motocicletas plataformizados como trabalho principal, a PNAD Contínua de 2025 registrou 405 mil pessoas ou 34,4%, sendo que menos de 1/5 contribuíram para a previdência social.

Ainda considerando o trabalho em aplicativos de transporte como principal, 26,8% dos motociclistas disseram que a flexibilidade era o principal motivo de utilizar essas plataformas, enquanto 24,6% alegaram o motivo de não conseguir encontrar outro trabalho.

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Uso de comércio eletrônico

A combinação entre a quantidade de aplicativos utilizados no trabalho e a frequência de uso revelou que 38,8% dos trabalhadores plataformizados trabalhavam de forma exclusiva por aplicativo e com apenas uma plataforma.

Em 2025, 210 mil trabalhadores por conta própria ou empregadores, em atividades do comércio, utilizaram plataforma de comércio eletrônico para obter clientes e vender produtos.

Do total de trabalhadores que utilizavam plataformas de comércio eletrônico, 51,8% eram mulheres.

Quase 1/3 dos “comerciantes” plataformizados vendiam seus produtos exclusivamente por meio de plataformas de comércio eletrônico.

*Isabel Butcher é editora assistente do Mobile Time.

  • Conteúdos assinados são de responsabilidade dos próprios autores e das autoras.



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