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Disputa pela atenção: todo mundo quer estar no feed

Por: *Antônio Guimarães

Você já entrou no TikTok, no Instagram ou no YouTube e enquanto rolava o feed, deu de cara com um vídeo de pessoas falando sobre um assunto completamente aleatório? Você não estava procurando por aquele conteúdo, mas alguma coisa chamou sua atenção e quando percebeu, já tinha assistido ao vídeo inteiro, entrado no perfil e procurado o conteúdo completo. 

E se eu te disser que muitas vezes existe uma estratégia por trás disso? Pode ser um conteúdo que recebeu investimento de uma marca, de um podcast ou do próprio creator para chegar até você. Não necessariamente como uma publicidade tradicional, com uma mensagem dizendo o que você deve comprar ou assistir, mas como um conteúdo que foi pensado, editado e distribuído para encontrar uma audiência que talvez nunca tivesse procurado por ele. 

Em três campanhas realizadas pela Real Oficial entre junho e agosto de 2026, foram publicados 12.539 cortes por 419 canais, que somaram 194,4 milhões de visualizações. O dado mais interessante está na concentração da audiência: apenas 346 cortes, ou 2,8% do total, responderam por 77% das visualizações. 

Um episódio de podcast pode ter duas horas de duração, mas isso não significa que ele precise encontrar sua audiência apenas dentro dessas duas horas. Uma conversa pode render diferentes momentos e cada um deles pode funcionar como uma porta de entrada para uma pessoa que nunca teve contato com aquele programa. O mesmo vale para uma live, uma entrevista, um evento ou qualquer outro conteúdo longo. 

Está surgindo uma atividade profissional em torno disso: os clippers identificam momentos de conteúdos longos, transformam esses trechos em vídeos curtos e trabalham para distribuí-los em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube. 

Isso já deixou de ser uma atividade informal de creators e começa a ganhar contornos de mercado. A Variety, revista norte-americana, publicou em 2026 uma reportagem inteira sobre como a clipagem tomou conta do mercado de música. Praticamente todas as grandes gravadoras já usam serviços de clipagem, e a prática está se espalhando para campanhas de cinema. 

Felipe Mendez, que cuida da conta da Lionsgate, uma grande empresa de entretenimento nos Estados Unidos, procurou cerca de 250 editores no TikTok e montou a partir disso um time de cerca de 15 pessoas trabalhando direto com o estúdio

Mas, não faz muito sentido pegar um vídeo longo e transformá-lo em dezenas de cortes apenas porque existe uma necessidade de publicar todos os dias. O trabalho de clipagem envolve entender quais momentos daquele conteúdo têm potencial para conversar com pessoas que talvez nem conheçam o material original e quais formatos fazem sentido para cada plataforma. 

Hoje, a inteligência artificial está otimizando bastante esse processo e as ferramentas conseguem analisar grandes volumes de conteúdo, identificar possíveis trechos, gerar legendas e aumentar a escala da produção.

O valor de um bom corte está na capacidade de colocar aquela história diante de uma audiência que provavelmente não encontraria o conteúdo original por conta própria. 

A publicidade está começando a se adaptar a essa dinâmica, e isso está mais visível porque, se antes uma marca que queria falar com muita gente, precisava estar onde muita gente estava, seja por televisão, rádio, revista, jornal. O comercial entrava no intervalo, a marca aparecia na página e a mensagem chegava até o público. Isso continua existindo, claro, e continua sendo procurado. A diferença é que agora existe outro espaço importante nessa disputa: o feed. 

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No feed a pessoa não está necessariamente esperando por uma mensagem publicitária. Ela pode estar vendo um meme, um vídeo de futebol, uma notícia ou um trecho de podcast. Se o conteúdo não despertar interesse, ela passa para o próximo. Porém quando a estratégia funciona, aquele mesmo vídeo pode fazer alguém parar, compartilhar, entrar no perfil e procurar mais. 

Por isso, quando uma empresa patrocina um podcast ou um creator, ela passa a fazer parte de um ambiente que já tem audiência. É uma possibilidade diferente de comunicação, que não substitui os veículos tradicionais, mas aumenta as formas pelas quais uma marca pode gerar visibilidade. 

Os próprios creators também estão percebendo que construir audiência não significa apenas produzir para quem já os acompanha. Existe uma necessidade constante de encontrar pessoas novas, e a distribuição de cortes pode ajudar nesse processo. 

O mais interessante é que esse modelo não depende necessariamente do tamanho de quem está produzindo. Uma multinacional pode investir milhões em comunicação e publicar um conteúdo que não desperte interesse, enquanto um creator pequeno pode encontrar um assunto que faça sentido para determinada audiência e alcançar milhões de pessoas. A distribuição cria oportunidades, mas também exige entender que cada plataforma tem uma dinâmica própria e que nem todo conteúdo funciona da mesma maneira em todos os lugares. 

É por isso que considero a clipagem uma atividade que tende a ganhar mais espaço dentro do Brasil. O profissional que faz esse trabalho está ajudando a construir essa ponte entre o conteúdo original e uma nova audiência. 

Muitas vezes, quando um vídeo aparece no nosso feed e desperta uma curiosidade sobre algo que não conhecíamos, existe uma cadeia de decisões por trás daquela descoberta. A clipagem é uma das atividades que está ocupando esse espaço e transformando a distribuição em uma profissão própria dentro desse novo mercado.

*Antônio Guimarães é CEO e CTO da Real Oficial, onde atua com clipping e creator economy. Especialista em inteligência artificial e tecnologia, com mais de 17 anos de experiência em desenvolvimento de software, automação e construção de sistemas escaláveis, Com bagagem de grandes empresas como OpenAI, Rivalry.com, Mercado Bitcoin e Log Manager. Ao longo da carreira, desenvolveu soluções de alta escala para processamento de dados, web scraping, pagamentos, logística e inteligência artificial. Entre seus cases estão empresas como o Podpah e o G4.

Sobre a Real Oficial: Fundada em agosto de 2025, a Real Oficial é uma startup brasileira presente em mais de 100 países, que usa inteligência artificial voltada à produção e distribuição de conteúdo digital. A plataforma transforma vídeos longos em conteúdos curtos para redes sociais, oferece recursos de edição em massa, Brand Kit, Workspace e tecnologias próprias de análise de vídeo. A empresa também opera campanhas B2B por meio de uma rede de clipadores remunerados por performance.

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