R$119 milhões: presidente do PL tenta justificar decisão de Flávio Dino sobre interferência dele na destinação de emendas parlamentares
“Mesmo sem mandato, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é suspeito de indicar irregularmente emendas parlamentares.” Assim, o Uol iniciou a matéria que na última sexta-feira (10), noticiou a ação da PF (Polícia Federal), que encontrou indícios de que o presidente nacional do Partido Liberal, agia para direcionar dinheiro oriundo de emendas parlamentares em Brasília, mesmo sem exercer cargo parlamentar.
Ainda segundo a publicação, “as informações constam na decisão do ministro do STF Flávio Dino que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL. O ministro também decidiu suspender a execução das emendas — no valor total de R$ 119,2 milhões — que estariam ligadas a Valdemar”.
A versão de Valdemar: neste sábado (11), o portal trouxe a versão de Costa Neto, na qual ele questiona a decisão de Flávio Dino e afirma não possuir o valor alegado pelo ministro. “Sobre o bloqueio que fizeram de R$ 119 milhões, não tenho esse dinheiro. Nem que eu acertasse duas vezes na loteria eu teria esse dinheiro. R$ 119 milhões é o valor total das emendas“. A postagem diz que a PF capturou mensagens de funcionárias da Câmara dos Deputados, com tratativas em nome do dirigente do partido sobre as emendas. “Tenho que receber os prefeitos e avalio quem precisa mais, quem precisa menos e dividimos uma parte. Uma parte os deputados cedem, as comissões também e sugerimos que passe o dinheiro da saúde, para ações da prefeitura e para obras, para que o cidadão possa receber esses recursos”, teria justificadou Valdemar da Costa.
De acordo com a matéria, os funcionários que aparecem na investigação da Polícia Federal são Mariângela Fialek (conhecida como Tuca) e Garigham Amarante. Tuca “é investigada no mesmo inquérito e foi alvo de buscas no fim do ano passado”.

A PF aponta Garigham Amarante como homem de confiança do presidente do PL, com participação ativa na negociação dos valores globais das indicações do dinheiro das emendas.
Defesa de Mariângela: a própria servidora Mariângela Fialek, disse ser uma técnica e preferiu não comentar sobre o assunto. Mas a sua advogada, Maria Claudia Bucchianeri, ressaltou que sua cliente é uma profissional experiente e sem vínculo partidário. E que ela “era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente”.
Mensagens: entre as mensagens capturadas pela PF estão: “Marquei com o Valdemar amanhã, 10:30“, diz uma delas. “Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?“, indaga a outra. Ambas são atribuídas ao assessor do PL, Garigham, enviadas para Mariângela em 25 de agosto do ano passado.
Defesa de Valdemar: em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto se disse surpresa com a decisão de Dino. E avaliou como inferências subjetivas e que há uma “indevida criminalização da atividade político-partidária“. A nota é assinada pelos advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury.
Leia as manifestações das defesas dos citados na íntegra, lá no portal.