Ṣángò: Ọ̀riṣà da justiça, nos inspira a continuar caminhando e construindo paz

*Por: Ìyá Márcia d’Ògún
Desde que os nossos ancestrais foram arrancados da sua terra natal (África) e chegaram aqui na condição de escravizados, mesmo sendo Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas, que eles lutavam por liberdade de culto da fé que professavam.
De forma inconsciente, mas estrategicamente, eles criaram o que hoje chamamos de sincretismo religioso, que consistia em camuflar com as imagens de santos católicos, as representações dos Ọ̀riṣà, numa tentativa de mostrar pros colonizadores que o processo de catequese tinha dado certo. ‘Só que não’. Nós nunca desistimos dos Nossos Ọ̀riṣà.
Foi uma estratégia inteligente, que deu certo e que até hoje podemos perceber, através dos altares católicos construídos em barracões de terreiros, que foram mantidos.
O tempo passou. As estratégias mudaram. Mas nós continuamos lutando por liberdade de culto, respeito e paz.
Diversas atividades são realizadas: seminários, encontros, rodas de conversa, caminhadas. Todas com o mesmo objetivo: construção de uma CULTURA de PAZ e RESPEITO.
Com o ‘controle’ da pandemia, as celebrações e manifestações religiosas, culturais e populares, foram retomadas e dentre elas, as de reverência aos Ọ̀riṣà. No próximo domingo, 12 de fevereiro de 2023, teremos o retorno da maior caminhada de Religiosos de Matriz Africana. A Caminhada da Pedra de Xangô.
Xangô é o Ọ̀riṣà dos trovões, relâmpagos, pedreiras e também da justiça. E ter o final dessa caminhada na Pedra de Xangô é muito importante, pois temos a oportunidade de ofertar a Ele, o Àmàlà (uma das suas comidas preferidas). Ao mesmo tempo que renovamos nossos laços de FÉ, clamando por PAZ, RESPEITO E JUSTIÇA.
Essa será a 14ª edição da caminhada, que é uma manifestação político religiosa dos Povos de Terreiro e é chancelada pela Ìyalọ̀ríṣá Iara de Ọ́ṣùn e sua Ẹ́gbẹ́.
Ainda sob o clima de retomada da caminhada, na véspera (11/02), acontecerá no Auditório do Parque Pedra de Xangô, o I Diálogo em Defesa da Cultura dos Povos de Matrizes Afro-brasileiras. O evento foi idealizado pelo Bàbálọ̀riṣá Josias de Ṣángò e organizado pela Associação Bominfá.
Esse fim de semana, todos os caminhos nos levam a Cajazeiras e à Pedra de Xangô.
Que Bàbá Ṣángò, que é o Nosso Pai dos trovões e pedreiras, continue nos abençoando e que nós possamos, a partir do fortalecimento da FÉ, esperançar dias melhores, com PAZ, HARMONIA, PROSPERIDADE, GRANDES REALIZAÇÕES, FELICIDADE, MAS SOBRETUDO JUSTIÇA 🌻♥️🥰😍😘 KABIYẸ̀SÍ LẸ́ 🪓.
*@Ìyá Márcia d’Ọ̀gún é Iyalorixá do Ìlẹ̀ Àṣẹ Ẹwà Ọ̀lódùmarè, um Terreiro de Tradição Ijexá, em Lauro de Freitas; Doutora Honoris Causa pela Faculdade Formação Brasileira e Internacional de Capelania e Ordem de Capelães do Brasil; Coordenadora da Renafro (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde – Núcleo Lauro de Freitas); Membro da Renadir (Rede Nacional da Diversidade Religiosa e do Comitê InterReligioso da Bahia); Presidenta do Conselho Municipal de Política Cultural de Salvador; além de professora aposentada.
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Obrigado por mais uma belíssima contribuição tão delicada e necessária!
Parabéns por saber usar tão lindamente o nosso lugar de voz e vez!