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A história que contamos para nós

Imagem Ilustrativa

*Por: Maria José Etelvina dos Santos

A vida é feita das histórias que contamos e carregamos dentro de nós. Nossa vida é constituída de histórias que contamos a nós mesmos. O que torna você feliz ou triste são as histórias que você carrega, são as histórias que ecoam em sua mente acerca de quem você é, de qual é o seu propósito, de qual é o sentido da sua existência.

Quais são as suas histórias? Quais são as suas marcas da Alma? Quais são as histórias de seus ancestrais? Qual a história que você conta para você mesmo? Como foi construída essa história? O conteúdo dessa história foi construída na infância? Você continua contando a mesma história até hoje? Histórias nunca são apenas histórias. Histórias sempre são reservas emocionais. Toda vez que eu conto uma história sobre a minha vida, sobre algo que aconteceu comigo, dentro disso vem uma onda, uma frequência de bagagem emocional, um conteúdo que emociona tanto para cima, como para baixo. O ser humano é em essência um contador de histórias acerca dele mesmo e da vida. Tudo aquilo que nós somos são as histórias que repetimos dentro de nós. Essas histórias carregam lágrimas e forças, energia e cansaço, alegria e tristeza, celebração e luto. Nossos sofrimentos existem como histórias dentro de nossa mente, e, algumas pessoas carregam histórias pesadas e densas por muitos anos dentro de si.

Devemos reaprender a contar a história de nossa vida. Para você, quando inicia a história de sua vida? Se a história de sua vida começa no momento em que você nasceu, é muito pouco conteúdo, escassa da raiz primordial que define quem você é. Convido você a fazer parte de uma história muito maior do que você, mas que compõe a sua vida porque a sua história começa muitos, muitos anos atrás. Talvez as suas dores não sejam tão diferentes das dores de sua ancestralidade, que são muito significativas para a composição de nossa própria história, porque no fundo, as dores, as angústias, as esperanças que fizeram parte da vida deles, não são tão diferentes da nossa dor atual.

Histórias são joias raras, são tesouros que carregamos dentro de nós. A vida é uma bênção, mas pode ser uma bênção oculta e, o nosso trabalho é revelar, descobrir o que está oculto e, quando conseguimos desvelar essa bênção, aquilo que parecia dor e sofrimento se torna um impulso para que cheguemos ao nosso propósito, e, o nosso propósito nunca é pessoal, para gente, mas é para o coletivo, para compartilhar, para o próximo, para a humanidade. A superação de nossas dificuldades, restrições, limites, sempre tem como objetivo nos levar para a possibilidade de ajudar outras pessoas que já passaram ou estão passando pelos mesmos desertos que nós.

Em geral estamos presos em histórias, histórias que repetimos para nós mesmos, histórias que são menores do que nós. A premissa maior é curar o ego adoecido. Mas, O que é ego? Ego são histórias, o ego é composto por histórias que contamos acerca de nós. O ego não é uma glândula ou um pedaço de nossa cabeça, não é um órgão, são histórias. Histórias que repetimos e ecoamos sobre nós mesmos, e, no caso do ego adoecido, são sempre histórias que colocam a gente em um lugar menor do que deveríamos estar, e, muitas pessoas ficam presas nessas histórias.

Liberdade, significa ser liberto dessas histórias que nos limitam, limitam nossa mente, limitam nossa possibilidade de evolução e crescimento. O que você precisa para se aprimorar, evoluir, ultrapassar e vencer seus desafios? Você precisa de uma nova história que seja maior do que você, uma história que impulsione você para muito além do lugar que você se encontra. Histórias carregadas de força e transformação. Histórias com significado, que faça sua alma pulsar de alegria. Uma história com significado, que faz com que as pessoas vivam uma vida com propósito. O nosso propósito é ser uma luz na escuridão para nós e para o mundo. A história pode ser fortalecedora ou inibidora, pode conter elementos que nos fortalecem ou inibem nosso comportamento. A partir dessa história nos relacionamos conosco, com nossos familiares e com o mundo.

Na maioria das vezes, construímos essas histórias na infância onde nossa percepção é imediatista, pautada no que acontece no momento, na experiência propriamente dita ou construímos histórias a partir do que ouvimos, da narrativa dos outros sobre nós ou membros da família e do mundo. A criança até 12 anos não desenvolveu a subjetividade, a interpretação dos fatos a partir de um olhar neutro e profundo, não tem a compreensão da projeção, das dificuldades internas dos pais para lidar com as situações de vida. A criança não sabe que representa a infância dos próprios pais e que para ela vai ser canalizada todas as frustrações, medos, abusos físicos e emocionais que os pais sofreram com os seus pais e familiares. A família nos influencia profundamente para o bem e para o mal, nos deixam marcas indeléveis, traumatiza ou liberta, são os que mais nos comove porque são aqueles que tem importância para nós, são os que estão mais próximos de nós e a partir do nascimento neste núcleo se estabelece uma relação de confiança ou desconfiança básica, a depender das experiências vividas.

Abandonar, ressignificar as histórias que contamos a partir de uma visão infantil e reconta-las a partir de um lugar e de um olhar mais maduro leva a cura. Abandonar os costumes, as memórias, as inseguranças que nos fazem mal para descobrirmos quem somos de verdade. A gente tem medo de encarar a si mesmo sem a história que contamos sobre nós. Existem histórias boas, nem todas são ruins. O convite aqui é abandonar as narrativas que não contribuem com nossa felicidade e bem-estar. Aquilo que nutre o self pode ficar, aquilo que está sendo destrutivo precisa ser abandonado. E como fazemos para abandonar esses conteúdos destrutivos dessa história que contamos para nós? Só você pode chegar a você mesmo, o caminho é solitário por que ninguém pode caminhar por você. Mas, podemos apontar algumas garantias que todo ser humano dispõe e que ajuda nesta jornada ao encontro de si mesmo:

Auto observação é uma das ferramentas que podem te levar ao autoconhecimento e a descobrir quem é você, quais as narrativas que são verdadeiras e quais que são ficção e fruto de um olhar infantil que gerou o ego adoecido;
⦁ Pesquisar as histórias dos ancestrais, dos pais, avós, bisavós e até onde puder investigar te leva a encontrar a si mesmo;
⦁ Meditação é um caminho de autoconhecimento e maestria;
⦁ Estudar sobre a formação da personalidade, sobre o mundo interior;
⦁ Buscar um profissional que possa te ajudar nesse caminho, rumo ao mundo interior e ao núcleo mais profundo de si mesmo.

Enfim, resignificar a história, meditar, auto observação, pesquisar a ancestralidade, estudar sobre a formação de si, são caminhos possíveis de mudança e transformação que podem levar a plenitude e auto realização.

*Maria José Etelvina dos Santos é Psicóloga, Biopsicossomatista, Mestre em Educação Emocional, Professora Universitária.

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