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Entre a decepção e a responsabilidade

Por: *Ìyá Márcia d’Ògún

O resultado do primeiro turno desta eleição me trouxe sentimentos que não posso esconder. Sinto-me profundamente decepcionada ao perceber o número tão alto de abstenções, votos brancos e nulos. Não digo isso para desrespeitar a escolha de ninguém, porque o voto é livre e a DEMOCRACIA pressupõe justamente o direito de cada pessoa fazer suas escolhas.

Mas preciso confessar minha tristeza diante de tanta gente que decidiu não participar ou que não encontrou sentido em escolher entre as opções colocadas.

Nas últimas ELEIÇÕES (2022), nós vivemos um momento fundamental da nossa história. Ressuscitamos o ESTADO DEMOCRÁTICO de DIREITO e reafirmamos que a democracia, com todas as suas imperfeições, precisa ser defendida todos os dias.

Agora, diante de um segundo turno, acredito que precisamos refletir profundamente sobre o país que queremos construir.

Precisamos garantir o que já conquistamos e, ao mesmo tempo, avançar. Precisamos defender a SOBERANIA NACIONAL, fortalecer a democracia e ampliar as políticas públicas que promovam justiça social, equidade racial, saúde, educação, segurança alimentar, direitos humanos, proteção das mulheres, das crianças, da população negra, dos povos e comunidades tradicionais e de todas as pessoas que historicamente tiveram seus direitos negados.

Não podemos tratar a democracia apenas como algo que acontece no dia da eleição. DEMOCRACIA se constrói com participação, consciência, diálogo, respeito às diferenças e compromisso permanente com o bem comum.

É por isso que, neste segundo turno, precisamos olhar para além das paixões e das disputas. Precisamos pensar no Brasil que queremos deixar para as próximas gerações.

Eu continuo acreditando que podemos construir um país mais justo, soberano, democrático e inclusivo. E acredito que cada voto consciente é uma manifestação de responsabilidade com o presente e com o futuro.

Que possamos transformar a decepção em reflexão, a reflexão em participação e a participação em compromisso com a DEMOCRACIA.

O que conquistamos precisa ser preservado. O que ainda falta precisa ser construído. E a DEMOCRACIA precisa de nós. VAMOS NOS MOBILIZAR E FAZER HISTÓRIA.

*@Ìyá Márcia d’Ọ̀gún é Iyalorixá do Ìlẹ̀ Àṣẹ Ẹwà Ọ̀lódùmarè, um Terreiro de Tradição Ijexá, em Lauro de Freitas; Doutora Honoris Causa pela Faculdade Formação Brasileira e Internacional de Capelania e Ordem de Capelães do Brasil; Representante da Comunidade Baiana no Conselho Universitário da UFBA; Coordenadora da Renafro (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde – Núcleo Lauro de Freitas); Coordenadora do Conirb (Conselho Interregional da Bahia); Conselheira da REDA (Rede Ecumênica da Água); Membro da Renadir (Rede Nacional da Diversidade Religiosa e do Comitê InterReligioso da Bahia); além de professora aposentada.

*Conteúdos assinados são de responsabilidade dos próprios autores e das autoras.

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