Brasil está entre os principais países que distribuem ciberataques, diz NetScout
Por: *Isabel Butche
O novo Relatório de Inteligência de Ameaças de Ataques de Negação de Serviço Distribuídos (DDoS) da NetScout revela uma mudança de paradigma no Brasil: o país se consolida entre as nações mais atacadas, mas, agora, também desponta como um dos principais distribuidores de ciberataques do mundo.
Em conversa com a imprensa, Geraldo Guazzelli, CEO da Netscout no Brasil, atribui o avanço dos ataques ao crescimento exponencial da internet das coisas e das redes 5G, que têm fornecido aos hackers uma infraestrutura de qualidade para a criação de botnets (redes de dispositivos conectados à internet infectados e controlados à distância por cibercriminosos).
A NetScout também atribui o aumento das origens dos ciberataques à digitalização e expansão de mais de 10 mil provedores de internet (ISPs) regionais com conexões de banda larga de alta capacidade. A infraestrutura brasileira passou a ser ativamente utilizada por hackers (de qualquer lugar do globo) para gerar ataques.
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Brasil: caça
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Entre os países mais atacados, o Brasil está entre a quarta e a sexta posição no mundo e lidera na América Latina. Somente no segundo semestre de 2025, foram 470 mil ataques feitos no Brasil, o que representa quase metade de todos os incidentes registrados na América Latina, que totalizou um pouco mais de 1,01 milhão de ataques DDoS.
Dos ataques sofridos no Brasil no período, os vetores mais utilizados por quantidade de ataques foram: 1) TCP com 134.320 ataques; 2) DNS Amplification com 98.558; 3) TCP RST com 76.980; 4) STUN Amplification com 65.936; e 5) TCP SYN/ACK Amplification com 65.915.
Na lista dos setores mais visados estão:

O relatório mostra ainda que os ataques estão mais sofisticados e ágeis. A duração média é de 47 minutos e os hackers estão usando múltiplos vetores.
“Qualquer minuto para ficar indisponível é muito. É um número bastante assustador. Imagina um ataque desses em um banco, no dia do pagamento“, questiona o executivo da NetScout. “Antes, os ciberataques se preocupavam em volumetria. Hoje, temos 1 GB em casa, com a fibra. Ataques de volumetria ainda são a maioria, mas não são tão significativos. O que importa são aqueles mais elaborados. Por exemplo, em um deles, vimos que o hacker trocou de vetor 24 vezes. Ou seja, ele tinha 24 técnicas diferentes para atacar. E, do outro lado, havia uma equipe ou uma solução de mitigação muito eficiente. E ele trocava rapidamente de vetor, em segundos“, exemplifica.
Guazzelli aponta que a integração com grandes modelos de linguagem (LLMs), associadas a ferramentas na dark web aceleram muito os ataques. “Com o uso da inteligência artificial, o hacker consegue trocar de vetor de ataque em segundos. É uma coisa muito dinâmica, rápida e muito efetiva do ponto de vista do atingimento do objetivo do hacker“.
A NetScout: a empresa mapeia o cenário de DDoS por meio de pontos de observação passivos na internet e protege 800 TB de tráfego no mundo, o que representa 2/3 do espaço tráfego global (IPv4). A NetScout está presente em 203 países e em 376 segmentos verticais de indústrias, e isto inclui governos, bancos, seguradoras e provedores globais, e 12.698 Números de Sistemas Autônomos (ASNs) na segunda metade de 2025.

“Isabel Butcher é editora assistente do Mobile Time.
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