*Por: Fernando Paiva
Em 2017, a Internet móvel já era um serviço praticamente universal entre brasileiros das classes A e B, com penetração de 95,7%. Também era bastante presente entre os jovens de 16 a 24 anos (92,6%). Por outro lado, a distância era grande quando feita a comparação com os brasileiros das classes D e E e com aqueles de mais de 60 anos de idade. De lá para cá, houve um avanço significativo do acesso à Internet móvel nesses dois segmentos, revela levantamento feito pela Blend/HSR, a pedido de Mobile Time, com base nos dados históricos da pesquisa TIC Domicílios.
Em oito anos, de 2017 a 2025, a proporção de brasileiros das classes D e E que acessaram a Internet pelo celular pelo menos uma vez nos últimos três meses aumentou bastante, passando de 48% para 78%.
No mesmo intervalo de tempo, no grupo de brasileiros com 60 anos ou mais, a proporção mais que dobrou, subindo de 26,8% para 58,5%. Trata-se do avanço mais acelerado dentre todos os recortes sóciodemográficos da pesquisa.
Na análise por região do país, os maiores crescimentos aconteceram nas regiões Norte e Nordeste. Na primeira, a penetração saltou de 62,5% para 85,7%. E na Nordeste, de 62,1% para 86,4%.
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Análise
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As redes de telefonia celular contribuíram para a democratização do acesso à Internet no Brasil e em outros países emergentes. Boa parte da população brasileira conheceu a Internet através da tela de um celular, não de um computador. Isso aconteceu em razão de diversos fatores, incluindo:
- A substituição do parque de celulares no Brasil, com a troca dos antigos feature phones por smartphones – a cada quatro anos, 83% da base nacional é trocada, segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre o brasileiro e seu smartphone. Além disso, embora o preço médio do smartphone esteja aumentando, as especificações dos modelos de entrada melhoram ano após ano. Ainda assim, continua sendo mais barato ter um smartphone do que um computador.
- As operadoras móveis trocaram planos baseados em minutos por planos com pacotes de dados, em resposta a uma demanda dos consumidores, que hoje usam mais a rede de dados que a rede de voz – até mesmo quando querem fazer uma ligação, que muitas vezes acontece por dentro de aplicativos de mensageria, como WhatsApp.
- O interiorização da rede 4G e a chegada do 5G no Brasil também estimulam o acesso à Internet móvel.
- A transformação digital da economia brasileira, com a forte popularização de aplicativos de serviços online to offline, especialmente durante a pandemia, como delivery de comida, transporte de passageiros em carros particulares, markeplaces diversos – vale verificar a evolução da penetração desses serviços na recente pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre pagamentos móveis e comércio móvel no Brasil.
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Desafios da Internet móvel no Brasil
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Por outro lado, nem tudo são flores no acesso móvel à Internet e há enormes desafios a serem enfrentados. O primeiro problema é que, para muita gente, principalmente nas classes de menor renda, o acesso à Internet móvel não está disponível o tempo todo, mas somente enquanto dura a sua franquia de dados. Esta costuma acabar antes do fim do mês e depende de uma nova recarga, no caso dos pré-pagos. Quando acaba a franquia, o usuário fica limitado a alguns poucos apps com zero rating, como o WhatsApp.
Para muitas especialistas, isso não é “conectividade significativa”, termo cunhado para classificar serviço de acesso à Internet com preço justo, disponibilidade constante e velocidade satisfatória para o uso dos principais serviços do dia a dia.
Outro desafio está na cobertura móvel. O 5G ainda está restrito a grandes cidades e falta sinal de celular em boa parte das rodovias nacionais.
Por fim, o letramento digital para um uso adequado do smartphone e dos serviços online disponíveis nele é outro obstáculo que precisa ser superado pelo Brasil e que se torna ainda mais urgente diante do aumento de casos de fraudes e golpes digitais.

A imagem no início da matéria e o infográfico acima foram produzidos por Mobile Time com IA

Fernando Paiva, é editor do Mobile Time.
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