Três histórias mostram como o olhar atento e o incentivo dos professores do Ensino Médio Integral ajudam jovens da rede pública a desenvolver projetos premiados e a transformar suas comunidades
*Por: Assessoria de Comunicação
No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, três histórias mostram como o compromisso, a escuta e o incentivo dos educadores podem transformar salas de aula em verdadeiros laboratórios de ideias e cidadania. De Goiás ao Rio Grande do Norte, passando pelo Tocantins, professores do Ensino Médio Integral têm sido peças fundamentais na formação de jovens cientistas, pesquisadoras e lideranças que já começam a deixar sua marca no Brasil — e no mundo.
Mais do que ensinar conteúdos, esses educadores acendem a curiosidade, estimulam o protagonismo e constroem vínculos, ajudando estudantes a perceberem que o conhecimento pode ser uma ferramenta poderosa de transformação social.
Goiás: ciência que nasce do Cerrado
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No Centro de Ensino em Período Integral (CEPI) Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia (GO), a professora de Biologia, Gabrielle Rosa Silva viu uma inquietação em sala de aula se transformar em um projeto científico premiado nacionalmente.

Suas alunas Ana Luiza Mendes Barfknecht e Isadora Rodrigues Rapatoni criaram um bioplástico biodegradável e um larvicida natural a partir da casca do jatobá-do-cerrado. A iniciativa rendeu o 3º lugar em um prêmio nacional e mostrou como a educação pública pode produzir soluções inovadoras e sustentáveis.
“Tudo começou com uma conversa sobre o lixo plástico e os surtos de dengue na cidade. Elas trouxeram essa preocupação e, a partir disso, construímos juntas um caminho de pesquisa, testes e descobertas“, conta a professora Gabrielle.
O projeto nasceu dentro da dinâmica do Ensino Médio Integral, que oferece tempo e estrutura para que os estudantes desenvolvam pesquisas próprias. Com esse modelo, a escola se torna um espaço de experimentação e aprendizado prático, onde o território local — no caso, o Cerrado — é também ponto de partida para o conhecimento científico.

Tocantins: uma educadora que forma lideranças ambientais
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Em Gurupi (TO), a professora de Ciências da Natureza, Milian Pereira Santana Silva acompanhou de perto o crescimento de Samárlly Nunes Milhomem, estudante da Escola Estadual Girassol de Tempo Integral, Presidente Costa e Silva.
Aos 17 anos, Samárlly criou o projeto “Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Sustentável“, que mobilizou mais de 200 jovens e garantiu a ela a vaga de representante oficial do Brasil no Parlamento Juvenil do Mercosul, um encontro que reúne estudantes de toda a América Latina para debater educação, cidadania e sustentabilidade.
“A Samárlly sempre foi muito participativa. O modelo integral permite que esses talentos floresçam, porque há tempo, escuta e orientação. A escola se torna um espaço onde os jovens entendem que podem agir e transformar“, afirma a professora Milian.
Com apoio da docente, o projeto evoluiu de uma reflexão sobre a realidade local, para uma mobilização concreta, que articulou debates, ações sustentáveis e a criação de um plano coletivo de conscientização ambiental.

Rio Grande do Norte: tecnologia e orgulho sertanejo
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Em Pau dos Ferros (RN), no sertão potiguar, o olhar atento da professora Jacicleuma de Oliveira Lima, coordenadora dos projetos da Escola Estadual de Tempo Integral Dr. José Fernandes de Melo, ajudou as alunas Ana Luísa e Anne Louise a acreditarem em seu potencial.
As duas desenvolveram o projeto “Redescobrindo a Caatinga“, que une ciência, robótica e sustentabilidade. Com a criação de um carro robótico (Rover) adaptado ao terreno do semiárido, elas foram selecionadas entre mais de 1.500 jovens para representar o Brasil na Genius Olympiad, competição internacional de ciência e tecnologia realizada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.
“Esse projeto mostra que nossos alunos têm potencial para criar tecnologia de ponta a partir da realidade em que vivem. Ver duas meninas do interior chegando ao MIT é a prova de que investir em educação pública transforma vidas“, destaca Jacicleuma.
A professora, que também é pesquisadora, orientou as alunas na estruturação do projeto e no desenvolvimento do artigo científico que será apresentado em inglês durante o evento.
Professores que inspiram futuros possíveis
As histórias de Gabrielle, Milian e Jacicleuma têm algo em comum: todas revelam educadores que acreditam nos jovens e enxergam a escola pública como espaço de criação, pesquisa e transformação social.
O modelo de Ensino Médio Integral, presente nas três redes estaduais, permite que professores e estudantes convivam mais tempo, desenvolvam projetos com propósito e construam uma relação de confiança que ultrapassa os muros da escola.
No Dia dos Professores, o reconhecimento vai para profissionais que, como eles, acreditam no poder da escuta e da curiosidade, que transformam dúvidas em descobertas e fazem da educação um instrumento de esperança e futuro.
“Quando a gente confia nos estudantes e oferece espaço para eles explorarem suas ideias, os resultados aparecem. A escola pública é, sim, um lugar de pesquisa, criação e transformação social“, resume o diretor Valmir Gomes da Silva, de Luziânia (GO), ecoando o sentimento que une educadores de todo o país.
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