“As governadoras e os governadores do Nordeste vêm a público repudiar declarações recentes que insultam nossos estados e cidadãos, reafirmando que o Brasil só avançará com cooperação federativa, respeito e verdade. O que está em debate não é apenas uma disputa política circunstancial, mas a forma como o país encara suas desigualdades históricas e projeta o futuro de sua economia e de sua gente…”, assim as principais lideranças dos nove estados que compõem o Nordeste do país, iniciam a nota de repúdio às palavras proferidas recentemente pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, contra a região.
Na nota pública (confira mais abaixo) divulgada na última sexta-feira (29), as gestoras e gestores nordestinos, manifestam indignação às críticas do gestor mineiro “que desqualificam a contribuição do Nordeste ao Brasil e reforçam estigmas históricos já superados pela força do povo nordestino“, e justificam as reivindicações de seus Estados à União.
Em comunicado enviado à imprensa neste sábado (30), o governador baiano Jerônimo Rodrigues, ressalta que “o documento expõe a verdade dos números e desmente a narrativa apresentada: em 2024, 73% dos recursos do BNDES foram destinados ao Sul e ao Sudeste, enquanto o Nordeste recebeu apenas 10% do total. – Minas Gerais, sozinho, foi contemplado com quase a mesma soma destinada a todos os estados nordestinos juntos“.

O informativo afirma ainda que “a Bahia, integrada ao Consórcio Nordeste, soma-se à manifestação divulgada por meio de nota pública“.
Segundo as informações, os dados apresentados pelas autoridades nordestinas, “não apenas desmontam a falácia de que o Nordeste viveria de “privilégios”, como também evidenciam a concentração histórica de investimentos no eixo Sul-Sudeste — desde o ciclo do ouro, passando pela industrialização subsidiada do século XX, até as atuais políticas de crédito. O Nordeste nunca buscou esmolas: luta, há décadas, por oportunidades justas de desenvolvimento e por políticas que valorizem suas potencialidades“.
O governo da Bahia diz também que se mantém “vigilante a toda forma de racismo, xenofobia e estigmatização regional. O Nordeste não aceitará ser transformado em bode expiatório de disputas eleitorais: nossa cidadania é indivisível e exige respeito, com políticas públicas pautadas em dados e evidências, não em preconceitos e estereótipos” reforça por através do comunicado.
Já a nota de três páginas assinada pelos governadores e governadoras do Nordeste, faz um comparativo sobre a histórica distribuição dos recursos e políticas públicas do país, indicando o eixo Sul-Sudeste como os mais privilegiados no recebimento desses benefícios, entre outras contemplações. Clique na imagem abaixo e confira o documento na íntegra.