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Centenário da Festa de Yemọ́já: o mar está em festa

*Por: Ìyá Márcia d’Ògún

: essa pequena palavra de grande significado, é o que nos fortalece, principalmente nos tempos mais difíceis que enfrentamos nas nossas vidas. Com uma infinidade de significados, FÉ pode ser: confiança, crença, credibilidade, convicção!

Por incrível que pareça, a FÉ do povo brasileiro foi renovada e a ESPERANÇA retomou seu lugar nos nossos corações.

A pandemia não é mais pandemia. E por conta disso as celebrações, festividades e também as festas populares, voltaram a acontecer, alegrando um povo que há mais de seis anos (me refiro ao golpe em 2016 e os quatro anos do inominável), não acreditava mais em possibilidades positivas!

E é nessa perspectiva que retomamos uma das maiores festas populares, com muita alegria e entusiasmo.
Dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar“. Assim o povo canta, e é realmente o que acontece…o mar festeja o Ọ̀riṣà Yemọ́já, a Rainha das Águas Salgadas!

O Presente de Yemọ́já esse ano completa 100 anos e por coincidência ou não, muitos Terreiros de Candomblé estão sendo regidos por essa Grande Rainha/Mãe esse ano (2023).

A celebração que hoje se concentra no Rio Vermelho, teve seu início no Nordeste de Amaralina e a reverência, inicialmente, era pra Ìyá Náńà, pela forte influência do sincretismo religioso com Nossa Senhora Santanna. Anos depois, por conta de uma escassez de peixes nas Águas do entorno da igreja da citada Santa, os pescadores deram o protagonismo da festa para Ìyá Yemọ́já, e são abençoados por Ela com muitos peixes e fartura.

Durante esses cem anos, muitos foram os Terreiros de Candomblé que assumiram as responsabilidades das celebrações desse dia, desde os ritos na Casa do Peso (Casa de Yemọ́já, localizada na lateral da Igreja de Santanna, no Rio Vermelho) até as celebrações nos seus Terreiros e os Presentes arrumados e entregues no mar em procissão no dia 2 de fevereiro.

Esse ano (2023). depois de quarenta anos, o Ìlẹ̀ Ọ̀ṣùmarẹ̀ Araká Àṣẹ Ọ̀godò, Terreiro da Casa de Ọ̀ṣùmarẹ̀, volta a chancelar essa importante celebração religiosa. Sim, digo celebração religiosa, porque é uma festa popular, mas o povo de Terreiro assume o protagonismo da parte religiosa, não da profana!

Voltando a chancelar o Presente de Yemọ́já esse ano, a Casa de Ọ̀ṣùmarẹ̀ pautou muitas atividades que estão enriquecendo a celebração religiosa, com responsabilidade sustentável. Trata-se de Rodas de Conversa que acontecem no Terreiro, com o objetivo de alertar nosso povo sobre os danos que a Natureza tem sofrido. Mas também informá-los sobre os cuidados com as Águas, com o Meio Ambiente, com a Mãe Natureza.

Esse é o caminho. Trabalhar RELIGIOSIDADE com RESPONSABILIDADE, EDUCAÇÃO, INFORMAÇÃO, mas sobretudo RESPEITO!

Que Ìyá Yemọ́já, que é a Nossa Grande Mãe e Rainha das Águas Salgadas, continue nos abençoando e que nós possamos, a partir do fortalecimento da FÉ nos Nossos Sagrados, esperançar dias melhores, com PAZ, HARMONIA, PROSPERIDADE, GRANDES REALIZAÇÕES E FELICIDADE 🌻♥️🥰😍😘. ÒDÒ YÀ. 🌊

*Ìyá Márcia d’Ọ̀gún é Iyalorixá do Ìlẹ̀ Àṣẹ Ẹwà Ọ̀lódùmarè, um Terreiro de Tradição Ijexá, em Lauro de Freitas; Doutora Honoris Causa pela Faculdade Formação Brasileira e Internacional de Capelania e Ordem de Capelães do Brasil; Coordenadora da Renafro (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde – Núcleo Lauro de Freitas); Membro da Renadir (Rede Nacional da Diversidade Religiosa e do Comitê InterReligioso da Bahia); Presidenta do Conselho Municipal de Política Cultural de Salvador; além de professora aposentada.

  • Os textos assinados, são de responsabilidade de seus autores.

Um Comentário

  1. Que texto maravilhoso!
    Obrigado, Yá, por nos brindar com esta bela contribuição sobre nossa cultura, sobre nossa religiosidade e memória ancestral!
    Lindoooo!

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