“A gente exportou, ano passado, 1,2 milhão barris por dia, nos transformando no maior exportador de petróleo da América Latina. E por que a gente tem dependência em refino? Por que o Brasil importa 30% dos derivados que consome? É que faltou investimento em refinaria. A Petrobras, nos últimos anos, investiu muito pouco em refino, porque ela privilegiou o investimento em exploração e produção de petróleo, que dá uma taxa de retorno maior para empresa”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
De acordo com informações, – as refinarias do país, quase todas foram construídas até a década de 1970, quando o Brasil importava petróleo leve do Oriente Médio. As máquinas escolhidas foram para esse tipo de matéria-prima. Em 1979, descobriu-se aqui, as reservas da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. E a partir da década de 80, essas refinarias foram adaptadas para processar o petróleo pesado extraídos de lá. E nos primeiros períodos dos anos 2000, houve a necessidade de novas adaptações. Dessa vez, para o petróleo do pré-sal, mais leve do que o de Campos. Porém, mais pesado que o do Oriente Médio, por exemplo. Esses detalhes, constam de uma matéria publicada no g1 de hoje (15), que ouviu alguns especialistas.
Na visão de Rodrigo Leão, pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), “a Petrobras já fez os investimentos que eram necessários. Se a gente olhar para o tanto que a gente usa hoje de petróleo brasileiro, nós temos uma taxa bem alta. Hoje, de tudo o que é refinado, 92% são de petróleo brasileiro. Em 2000, a gente usava só 75%, ou seja: 25% do petróleo refinado eram importados”.
Segundo esse outro especialista, 75% do petróleo refinado no Brasil hoje, vêm do pré-sal. 17% são da Bacia de Campos, que é mais pesado. – E ainda precisamos importar 8% de petróleo leve para conseguir a mistura ideal para o refino, tanto do ponto de vista técnico quanto do econômico.
Com sua explicação, Eberaldo Almeida, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), destaca: “a análise é feita até por inteligência artificial. São milhares de variáveis que entram aí, e que variam também de acordo com a precificação desses subprodutos no mercado internacional. Tem época que a gasolina vale mais, tem época que vale menos, então o que se coloca quando vai se planejar uma carga da refinaria, você leva essas variáveis todas em consideração, para que você otimize o resultado dessa refinaria em termos de rentabilidade e de atendimento ao mercado”.
– Mas, mesmo assim, toda a produção que as nossas refinarias conseguem fazer não é suficiente para abastecer o mercado interno. Então, nós continuamos importando os combustíveis e vendendo o excesso de petróleo bruto que não damos conta de refinar.
Preço internacional

De acordo com a publicação do g1, o preço internacional do petróleo caiu. Em parte, em consequência da expectativa sobre resultados das conversações entre Rússia e Ucrânia. E também aponta, que há um lockdown na China, que cria uma possibilidade de redução de consumo.
– Ainda assim, o custo do petróleo neste momento é uma preocupação planetária, mesmo para países que produzem, porque existem tipos diferentes de óleo. O Brasil, por exemplo, precisa buscar no exterior um óleo que não é produzido aqui, continua a matéria.
A postagem aponta que, mesmo o Brasil produzindo atualmente, 3 milhões de barris de petróleo por dia e consumidor 2,5 milhões, ainda assim, precisa importar 300 mil barris diariamente. E diz que essa conta não se explica apenas com contabilidade. Mas também, entra aí, a questão dos laboratórios.
Ou seja, por conta da variedade do petróleo existente, uns mais pesados, outros mais viscosos e os mais leves (esses últimos já ideais para fazer alguns tipos de combustíveis), tudo isso, é considerado na hora de transformar o óleo bruto em… gasolina, diesel, querosene de aviação e todos os subprodutos que saem da refinaria.