Em meio a um cenário de nervosismo na economia nacional (inflação 5,65%, taxa Selic próximo aos 15%), o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), anunciou ter zerado o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), para produtos que compõem a cesta básica dos paulistas. A divulgação no entanto, parece mais ser uma queda-de-braço entre ele e parlamentares paulistas da oposição que dizem ter sugerido a isenção ao gestor.
Segundo Freitas, a renúncia ao referido imposto para os itens da alimentação no Estado “não é de hoje, já vem de muito tempo“, disse ele, sem citar a data exata, ao postar um vídeo (veja no vídeo mais abaixo) nas redes sociais na tarde deste sábado (8).
Matéria publicada nesta sexta-feira (7), pelo portal CNN Brasil informa que “os deputados estaduais e federais da federação encabeçada pelo PT encaminharam ofício ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pedindo que seja zerado o ICMS sobre produtos da cesta básica de alimentos“.
Por sua vez, o governador diz que para chegar a este resultado, teve que fazer um planejamento bem elaborado e com isso, “…reduzimos os impostos em cima da cesta básica” enfatizou ele. Ao explicar que os produtores paulistas estavam pagando mais caro para produzirem suas lavouras, Tarcísio afirma que isso era “reflexo da falta de ajuste fiscal“.
– A questão é saber se a população do Estado de São Paulo realmente já está notando a redução nos preços dos referidos produtos nas gôndulas dos supermercados.
Anuncie Aqui
Na postagem CNN, os parlamentares comentam que “atualmente, esses produtos recebem um benefício fiscal que consiste em uma redução da base de cálculo, resultando em uma carga tributária de 7%, inferior à alíquota padrão de 18%”. – Contudo, acreditamos que é imprescindível avançar na desoneração fiscal, promovendo a total isenção de ICMS”, acrescentaram.
Moradores de SP: para entender se o que os políticos estão dizendo realmente já se traduz no bolso dos consumidores, o Acesse News falou via mensagens de WhatsApp com moradores de São Paulo que vão às compras….
“Essa redução será difícil de chegar aos preços nas prateleiras, pois vivemos uma economia de mercado onde os empresários do setor têm a liberdade de praticar os preços que quiserem. A alta dos preços tem a ver com produtos que dependem do dólar, de importação ou exportação. No caso dos ovos, existe uma crise aviária nos EUA, as altas temperaturas que estressam as aves, diminuindo a produção de ovos…”, analisou um ex-assessor parlamentar da capital paulista. “No que diz respeito à alimentação, principalmente carne, eu não percebi redução de custo não… hortifrutigranjeiros de forma geral, laticínios, enfim, o custo subiu…”, disse essa vendedora da zona leste da cidade de São Paulo. “Honestamente, essa coisa de redução a zero de certos produtos, não vai acontecer agora. Porque, por mais que o governo zere, tem um negócio que a gente precisa entender: até chegar nos mercados esses produtos zerados, leva um tempo. Não sei se isso vai ser tão notório assim não. Porque querendo ou não, você zera a carne para importação, zera café para importação, sendo que nós somos, o maior produtor de carne e de café ([por] exemplo)… quer dizer, o produto vem lá de fora mais barato pra nós aqui, não faz o menor sentido…”, comentou esse outro consumidor que mora na cidade de Osasco na GSP. “Pra mim, tá tudo caro. Nem baixou [no governo] Lula, nem baixou [no governo] Tarcísio“, resumiu esse segurança baiano residente na zona sul da capital paulista.
A publicação do portal sinaliza que 19 deputados estaduais da federação Brasil da Esperança (também formada por PCdoB e PV) e 11 deputados federais por São Paulo, assinaram o ofício no qual argumentam que “o aumento de 8,2% na arrecadação em relação ao ano anterior, descontada a inflação, demonstra que o São Paulo está em uma posição favorável para implementar a desoneração solicitada”.
A postagem de ontem feita pelo governador, também parece ser uma maneira de retrucar os parlamentares, após divulgarem ter sido deles a ideia da isenção do imposto sobre os alimentos no maior estado em termos populacional e econômico do país.
