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Por fala racista, vereador de São Paulo foi cassado nesta terça-feira

Por fala racista, o vereador Camilo Cristófaro (Avante), teve seu mandato cassdo pelo Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, na tarde desta terça-feira (19). O parlamentar respondia a um processo desde maio do ano passado, quando a Corregedoria-Geral do Legislativo iniciou a análise do caso, em uma ação representada no RPP (Requerimento de Representação) 2/2022 da Corregedoria do Parlamento paulistano.

A informação é do portal da Câmara paulistana. Dos 55 vereadores da Casa, 47 votaram a favor da perda do mandato do colega e 5 abstensões. Não houve voto contra. “O relatório foi votado nominalmente pelos parlamentares e seguiu a ordem alfabética. A votação exigiu quórum com maioria absoluta. Sendo assim, dos 55 vereadores da Câmara, foram necessários pelo menos 37 votos favoráveis para manter a cassação do Camilo. Foram registrados 47 posicionamentos a favor da perda do cargo, nenhum contrário e cinco abstenções“, destaca a publicação.

3 parlamentares não participaram da votação. Conforme o Regimento Interno da Câmara, a denunciante Luana Alves (PSOL) e o acusado Camilo Cristófaro, não puderam votar. Já a vereadora Ely Teruel (PODE) se ausentou.

Entenda o caso. No dia 3 de maio de 2022, acontecia uma reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que investigava os Aplicativos de transportes, o vereador Cristófaro, então relator da Comissão, participava remotamente das atividades. Em determinado momento ele deixou vazar o seguinte áudio: “Eles arrumaram e não lavaram a calçada. É coisa de preto, né?”.

A postagem afirma que após o comentário racista, houve pedido de punição contra o autor da fala.

Segundo as informações, esse foi o primeiro caso de cassação na Câmara da capital paulista, por racismo. Porém, um vereador e uma vereadra também já haviam perdidos seus mandatos. Em 1999, Vicente Viscome e Maeli Vergniano foram cassados por envolvimento na Máfia dos Fiscais (cobravam propina de comerciantes e ambulantes da cidade).

Aos 62 anos de idade, Camilo Cristófaro estava em seu segundo mandato.

“[… Quano a gente fala de racismo, a gente não tá falando apenas para pessoas negras, ou a gente não tá falando de casoso específicos. Quando a gente fala de racismo, quando a gente combate o racismo, a gente tá falando pra toda a sociedade brasileira. E o debate que a gente fez aui nessa Casa, é um debate que a gente fala sobre humanidade. E vereador, eu já tive a oportunidade de falar isso olhando nos seus olhos e repito aqui. Absolutamente, nenhum negro ue está aqui, que tem boas relações como o senhor, que é seu amigo, está negociando a sua humanidade, está negociando o que ha de mais essencial no que é ser humano. E as ofensas, quando são ofensas feitas coletivamente. Quando são feitas, ofensas, à toda parte de uma sociedade, e aqui, neste caso a gente tá falando da sociedade brasileira, de mais da metade da população desse país, e uma ofensa ue ofende também a esta Casa, ofende aos parlamentares e ofende aos moradores desta cidade…]”, disse a vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL), ao fezer uso da palavra, parafraseando Regina Lúcia, representante do MNU (Movimento Negro Unificado), em discurso direcionado ao vereador cassado (confira aqui, a partir do tempo 1h24min).

Clique aqui (a prtir do tempo, 48min) e confira a íntegra da Sessão que cassou Cristófaro.

A defesa do vereador. Em duas horas de argumentos, o advogado Ronaldo Alves de Andrade, pediu o arquivamento do caso e questionou o julgamento do Plenário. “O que esperar de um julgamento onde os julgadores têm que se curvar às ordens do partido, às diretrizes do partido?” questionou.

Apesar de reconhecer a fala infeliz do seu cliente, Andrade argumenta ter sido tirada de contexto. “Eu sei que não houve preconceito. Houve uma fala, sim, mal colocada, de mau gosto”, disse ele e completou: “julgar não é simplesmente pegar a acusação, pegar o que a defesa disse e simplesmente julgar”.

De acordo com o portal, o vereador tambem tentou se defender ao usar a tribuna. Alegou conviver com pessoas pretas inclusive em seu próprio gabinete. “Nunca fui chamado de racista por qualquer canto que eu ando nesta cidade”, disse.

Confira o texto completo, clicando aqui.

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