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Governo baiano anuncia investimento de U$300 milhões para Agricultura Familiar; porém, a zona rural vive um drama

*Editorial – Por: Dell Santana

Em um evento realizado na sede da UPB (União dos Municípios da Bahia), na noite desta terça-feira (2), para celebrar os 40 anos de fundação da CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional), órgão vinculado a SDR (Secretaria de Desenvolvimento Rural), foram anunciados dois projetos para a Agricultura Familiar: Parceiros da Mata e Bahia que Produz e Alimenta. Juntos, terão investimentos de 300 milhões de dólares, segundo o governo do Estado.

De acordo com as informações, o Bahia que Produz e Alimenta, visa melhorar a produção, gestão e integração das organizações produtivas aos mercados, ampliar o acesso à água e saneamento básico, além de apoiar os agricultores familiares com novas tecnologias e o serviço continuado e qualificado de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural). “A meta é atender e incrementar a receita bruta de 600 organizações produtivas da agricultura familiar e 30 mil beneficiários diretos“, diz o comunicado do governo.

Já o projeto Parceiros da Mata, segundo Jeandro Ribeiro, presidente da CAR, atuará na promoção dos sistemas produtivos sustentáveis e na proteção e recuperação ambiental, para beneficiar cerca de 100 mil famílias rurais dos Territórios de Identidade do Baixo Sul, Litoral Sul e Vale do Jiquiriçá, do Bioma da Mata Atlântica da Bahia. A ideia é investio R$750 milhões pelos próximos seis anos, em 61 municípios desses territórios.

Essas ações vão levar o desenvolvimento para o povo baiano. E vão, sobretudo, produzir o alimento para acabar, de uma vez por todas, com a fome na Bahia, que é um projeto que o governador Jerônimo Rodrigues colocou na pauta do dia“, afirmou Ribeiro.

Presente na cerimônia, o vice-governador Geraldo Júnior (Foto: Fernando Vivas/GovBa), reforçou a importância do trabalho desenvolvido pela Companhia. “Essas ações são fundamentais para o desenvolvimento rural no estado. É necessário regionalizar as atividades por cada um dos territórios e cada um dos eixos da atividade agrícola, para contribuir com o desenvolvimento da economia e melhorar as vidas dessas pessoas“.

Por sua vez, Juscelino Macedo, presidente da Coopatan (Cooperativa de Produtores Rurais), que atende 366 associados, disse que os investimentos devem aumentar a produtividade e a renda média do produtor. “Nossa expectativa com esses projetos é aumentar a produtividade e a renda do produtor, aumentar o número de assistidos, bem como a renda média do cooperado, dando mais dignidade ao homem do campo“.

O drama da zona rural

Apesar dessas ações de governos e órgãos envolvidos, a zona rural vive um drama, mas parece passar despercebido por esses agentes. Existem localidades que pequenos produtores estão com dificuldade para encontrar alguém que queira trabalhar (recebendo pela diária), para ajudá-los a continuar cultivando e cuidando de suas plantações. (Foto: Reprodução/Ilustrativa)

E o pior, é que esses produtores estão envelhecendo e ficando doentes e não há muita perspectiva de terem substitutos para seguirem com os plantios, num futuro próximo.

Além de boa parte da juventude continuar migrando para a cidade em buscar de melhor condição de vida, entre os que optam permanecer no campo, alguns se acomodam no fato de estarem recebendo algum tipo de benefício do governo, como Bolsa Família e Auxílio Brasil, por exemplo.

E na visão de alguns donos de propriedades, essa talvez, esteja sendo a possível causa para a dificuldade de encontrar quem queira prestar um serviço na roça e receber pelo dia trabalhado. “Hoje para achar alguém para querer dar um dia de trabalho é a maior dificuldade. E quando acha, é só de manhã até meio dia“, comentam.

Em região como o Recôncavo Baiano, por exemplo, onde existem instituições como Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Setaf (Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar), é urgente que os governos federal e estadual, em parcerias com prefeituras e associações de moradores rurais, busquem novas alternativas para manter o homem do campo produzindo. Do contrário, logo haverá escassez de produtos agrícolas para o abastecimento dos centros urbanos e provavelmente para o próprio consumo no meio rural.

*Dell Santana é graduado em Comunicação Institucional e editor do Acesse News, (filiado a ABI – Associação Baiana de Imprensa).

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