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As tentativas da China para se tornar a maior potência global

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Enquanto algumas Nações tentavam culpar a China, pela tragédia epidemiológica do Coronavírus, ao que parece, o país asiático arquitetava uma estratégia para, logo na sequência do período pós pandemia, mostrar para todo o mundo, a sua capacidade para tornar-se a maior potência global.

Bom. Se isso realmente foi costurado ao longo desses últimos dois anos ou não, o fato é, ao que tudo indica, esse plano está ganhando contornos robustos. Isso levando-se em consideração, os últimos acontecimentos de alinhamentos políticos, conforme relatados, por exemplo, numa longa reportagem publicada neste sábado (22), pelo portal BBC News Brasil.

Diz a matéria que, mesmo apesar de aviões de combate do presidente Xi Jinping, ter sobrevoado o estreito de Taiwan (zona de conflito que já dura anos entre ambos), em uma demonstração do poderio militar chinês, poucas horas após ele ter tomado um chá com o presidente francês Emmanuel Macron, pedindo a paz na Ucrânia no último dia 15 de abril, esse gesto com o país europeu pode ter sinalizado para a China, um ponto importante para a sua diplomacia.

Esta dissonante simultaneidade foi o exemplo mais recente das duas faces que a China vem apresentando ao mundo: de um lado, uma pomba da paz – um país pacifista e conciliador internacional; de outro, um cão de guarda, mostrando seus dentes para defender o que considera ser seu território“, diz um trecho da reportagem. “Poderá Pequim manter esta estratégia“? Indaga em outro.

A publicação ressalta essa possibilidade de a China ter aproveitados o período de isolamento da pandemia, para seguir preparando sua estratégia diplomata. E agora melhor preparada, somente nos últimos meses, além de Macron também já se reuniu com os presidentes Vladimir Putin (Rússia), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e vários outros líderes mundiais, além de ter enviado o importante diplomata Wang Yi para cortejar a Europa e ter apresentado uma proposta de 12 pontos como solução para a guerra na Ucrânia.

E não ficou só nisso, mostra a postagem. “Pequim também intermediou um acordo entre o Irã e a Arábia Saudita, em um dos maiores feitos diplomáticos da China. É muito significativo este acordo no Oriente Médico, onde as intervenções norte-americanas vêm mergulhando em fracassos e dificuldades“.

Outro ponto considerado positivo nessa ação do líder chinês, foi ter transferindo de cargo o controverso diplomata Zhao Lijian, promovendo figuras mais equilibradas como Wang Yi e Qin Gang, “embora Xi Jinping continue a incentivar seus diplomatas a mostrar espírito combativo“.

Opiniões


Acadêmicos chineses ouvidos pelo correspondente da BBC News, apontam que essa mudança diplomática de seu país, o posiciona sim, como importante negociador global. E isso pode ter resurgido a partir de um conceito antigo de seu povo, que propõe o “rejuvenescimento da nação chinesa”, para reivindicar sua posição central no planeta (Foto: Getty Images.


Isso significa “confiança no próprio caminho e foco na modernização“, segundo o professor de política e relações internacionais Zhang Xin, da Universidade Normal do Leste da China. Para ele, esse é o sinal mais recente de Xi Jinping ao chegar ao poder como o “Sonho Chinês”.

Convergindo na mesma opinião, mas achando que grande parte do conceito chinês também pretende reforçar os laços econômicos globais Neil Thomas, acadêmico de política chinesa do Instituto de Política da Asia Society, reforça quê: “o presidente Xi sabe que não pode rejuvenescer a nação chinesa sem uma boa economia“. E emenda: “a China precisa continuar a crescer enquanto adquire influência diplomática“.

E continua Thomas, “você não pode fazer isso se isolando do Ocidente. Você ainda precisa manter boas relações econômicas. Isso exige diplomacia e abandono dos aspectos mais ‘[fortes do]’ lobo guerreiro“.

Todo esse esforço do presidente Xi Jinping, tem um motivo, segundo os analistas. – É o fato de que a China se sente cada vez mais sitiada.

Há relatos de que em março, ele acusou os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, de ‘contenção, cerco e supressão’ o que causou graves desafios ao desenvolvimento do seu país.

Diz a matéria que as suspeitas do Ocidente resultaram em pactos de defesa mais abrangentes, como os Acordos Aukus (entre a Austrália, Reino Unido e EUA) e Quad (Japão, EUA, Austrália e Índia), além de restrições sobre o acesso chinês a tecnologias avançadas.

Na visão de Ian Chong, do Instituto Carnegie China, esta sensação se ampliou no ano passado, com a guerra na Ucrânia e o fortalecimento dos laços entre os países da Otan. “Pequim percebeu que os Estados Unidos têm muitos amigos poderosos“, afirma ele. “Os chineses sentem mais essa contenção, o que lhes dá mais ímpeto para sair dela”, avalia.

Segundo Chong, é por isso que o ‘mundo mutipolarizado’, com diversos centros de poder, é uma bandeira importante da estratégia chinesa, que observa nessa ideia a alternativa ao que chama de “hegemonia norte-americana”, que forçou os países a formar blocos de poder, agravando as tensões.

Clique aqui, para conferir a matéria completa da BBC News Brasil.

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