Autoconhecimento na Tela

“Eu não aguento ficar mais em casa porque não tenho nada o que fazer”

Essa frase, eu ouvi várias vezes de amigos, pacientes, parentes e vizinhos no auge da pandemia. Logo lembrei da parábola do Eremita e os animais, que descrevo a seguir:

Um velho eremita, desejou retirar-se para as montanhas para dedicar-se à oração e penitência, pois, muitas vezes queixou-se de que ele tinha muito trabalho. E cumpriu seu desejo.

Um dia, um daqueles que o visitou, perguntou-lhe:

-Como é possível ter tanto trabalho se está só no meio do nada?

O eremita respondeu:

Preciso treinar dois falcões, duas águias, ainda manter dois coelhos, ver uma cobra, um burro de carga e domar um leão.

O visitante olhou em volta na esperança de ver alguns animais, mas não viu nada.

-E onde estão todos estes animais? Ele perguntou.

Então o Eremita respondeu:

Estes “animais” estão em nós

•Os dois falcões, são meus olhos, estão sobre todas as presas, seja bom ou ruim. Tenho que treiná-los para que se lancem sobre coisas boas.

•As duas águias, que com suas garras ferem e destroem, são as minhas mãos e eu tenho que treiná-las para não causar danos, para que se coloquem no serviço do bem, dedicar-se a servir aos outros e ajudar sem machucar.

•Os coelhos, são meus pés, eles sempre querem ir para onde quiserem e evitar as coisas difíceis e eu tenho que ensiná-los a ficar tranquilos embora haja sofrimento ou problemas.  

•O burro está sempre cansado, é teimoso, não quer carregar sua carga muitas vezes. É meu corpo. 

•Embora seja mais difícil controlar a cobra, está presa em uma gaiola, mas está sempre pronta para atacar, e colocar seu veneno em qualquer pessoa. Eu tenho que discipliná-la. É minha língua.

•Eu também tenho um leão…. Quão orgulhoso, vaidoso, ele pensa que é o rei. Eu tenho que domá-lo. É meu ego.

-Você percebe agora o grande trabalho que eu tenho?

Sim, o Eremita tem muito trabalho e nós também. A diferença, é que o Eremita, reconhece quanto trabalhoso é cuidar de si mesmo, e nós, não nos apercebemos desta grande tarefa em nossa vida. A diferença, é que o Eremita, ousou lidar consigo mesmo, e nós, fugimos de nós mesmos como o diabo foge da cruz, por isso procuramos nos anestesiar com bebidas, comidas, musicas inebriantes, drogas, vícios de toda ordem, viagens, festas, compras (quando podemos financeiramente), novelas, filmes, trabalhos fatigantes e ocupamos nosso tempo com tudo a nossa volta, menos conosco mesmos.

É doloroso olhar para nossas feridas e dores internas, olhar para o sentimento de abandono, medo, rejeição, abusos, menos valia, desvalorização, solidão, culpa e principalmente a falta de amor a si mesmo, que provoca autopunição, através de relacionamentos tóxicos, escassez, doenças, trabalhos abusivos e negligência com a nossa vida.

Como nada o que fazer? Temos que fazer uma reforma íntima, cuidar de nossos pensamentos, cuidar de nosso corpo, cuidar de nossos olhos, cuidar de nossos ouvidos, cuidar de nossa linguagem, cuidar de nosso coração. E você me diz que não tem o que fazer?

A auto observação é a primeira ferramenta para iniciar a reforma íntima. A maior jornada que devemos fazer nessa vida é do cabeção para o coração, e, você me diz que não sabe o que fazer?

Sair dos condicionamentos, dos roteiros estabelecidos, dos emaranhamentos sistêmicos, da mente repetitiva, da linguagem que não é contribuição, das emoções e pensamentos tóxicos, dos comportamentos destrutivos e você me diz que não tem o que fazer???

Tudo isso é trabalho para uma vida ou até mais vidas, se houver essa possibilidade.

Nos perdemos em nossa jornada e nos deslumbramos com o mundo externo, as distrações são muitas. Esse momento nos convida a reflexão, a mudar nosso modus operandi, a sair da zona de conforto, a mudar nossa mente e voltar para casa, que é a jornada para dentro de si mesmo. Jung já nos alertava: “Quem olha para fora sonha e quem olha para dentro desperta”.

Então, o convite é despertar para nossa verdade mais profunda, sair da superfície (mundo externo-efeito) e mergulhar profundamente em si mesmo (mundo interno-causa), acolher a nossa sombra e amar muito a Si mesmo, se tornar íntimo de si e ser seu/ (sua) melhor amigo(a). Se conciliar com o passado e seguir o caminho em Paz.

Mãos à obra!!! Há muito trabalho a ser feito!!! Comece agora!!! Estou aqui para ajudar a olhar para aquilo que você não quer ver ou não consegue ver, para o que dói e para o que o inconsciente retira do consciente para te “proteger”, mas é o conteúdo que mais machuca, como um espinho no pé que se não for retirado dói a cada movimento.

*Maria José Etelvina dos Santos é Psicóloga (CRP 03/01436), Biopsicossomatista, Mestre em Educação Emocional, Professora Universitária.

**Atende na CLIMFISIO- (753621-3177

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